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As dores e as delícias dos relacionamentos

Por Sophia Rodovalho
“Há relacionamentos que têm lá seus problemas... As diferenças são tão menores do que o valor que um dá para a outro, e isso é que interessa!” Charlie Brown Jr

Inicio este texto sobre os relacionamentos afetivos que estabelecemos, com um pensamento tão singelo e tão profundo de Charlie Brown Jr. que nos leva a pensarmos em quantas vezes os problemas (aparentemente gigantes e que nos sugam e envolvem) nos levam a brigar, perder a paciência, nos afastarmos de nossos parceiros!

O dia-a-dia, o mundo em que vivemos, as dificuldades que enfrentamos, a correria, a necessidade de ‘dar conta de tudo’, de ser bem-sucedido, as cobranças por desempenho cada vez melhor, as dificuldades financeiras que atropelam às famílias (e aos casais) na atualidade, as redes sociais e internet que cada vez mais ocupam espaço dentro das casas, ‘substituindo’ o diálogo ‘cara a cara’, as conversas, os ‘papos furados’, vão afastando os casais, que com o passar do tempo, passam a não mais conhecer aquele outro tão bem (aquele outro por quem se apaixonou, se envolvou e está junto) ...

E quando falamos de relacionamento, falamos de amor, falar de amor, é falar sobre cooperar, sobre estar junto, sobre ser amparo, sobre se doar, sobre dar amor, sobre dedicação... como Carl Jung, pontua adequadamente: “Onde o amor impera, não há desejo de poder; e onde o poder predomina, há falta de amor. Um é a sombra do outro.”.

Quando nos relacionamos, quando amamos, quando estamos com o outro, não precisamos ‘mandar’, não devemos querer ‘dominar’, dar a última palavra, sermos atendidos, darmos às ordens, não é a minha maneira de pensar e de querer que conta e não é a maneira de pensar e de querer do outro que conta, mas sim a maneira do casal ser, as decisões que tomaram juntos, os planos que fizeram juntos, as conversas longas que tiveram, o bate papo gostoso e sem briga! A cumplicidade e a confiança construída ao longo do tempo!

Rubem Alves, este querido e admirado mestre, que nos ensinou tanto sobre amor e deixou em seu texto Tênis x Frescobol, que fala de casamento, cita Nietzche, que afirma “Ao pensar sobre a possibilidade de casamento, cada um deveria fazer a seguinte pergunta: Crê que seria capaz de conversar com prazer com esta pessoa até sua velhice?”, pois como afirma Rubem Alves, tudo o mais nos casamentos é transitório, mas as relações que desafiam o tempo são aquelas construídas sobre a arte de conversar.

Áh a arte de conversar! Parece tão simples ... mas conversar é uma arte! Implica em falar, se expressar corretamente, mostrar o que pensa, o que quer, porque está bravo ou feliz, mas implica em ser um bom ouvinte, escutar, sem reservas, escutar sem ficar mentalmente rebatendo o que o outro fala, para que, ao final da frase deste, já venha a resposta formada e cheia de ‘argumentos’. Mas por que isso nos relacionamentos afetivos?

Guardemos as armas! Guardemos as reservas! Deixemos argumentos, ‘brigas’, discussões, rebater o que o outro disse, para quem lida diretamente com negociações, brigas, acordos, o casal deve aprender a falar, mas fundamentalmente a ouvir.

Quando ouço o que o outro me fala, posso entende-lo, posso compreender seus motivos, suas razões, suas inseguranças. Posso escutar as justificativas para os ‘erros’, posso entender porque errou, se atrapalhou, ‘pisou na bola’, mas quando, ao invés de escutar, acuso, aponto, brigo, argumento e estou cheia (o) de razão, apenas permaneço em um bate-boca infinito, que terá um vencedor e um vencido, um derrotado.

Nossa! Um derrotado em um casal? Repensemos... o casal derrotando um ao outro? Quando é que isso significou companheirismo, diálogo, troca, apoio e suporte?!

Será mesmo que existe a possibilidade de dar certo a longo prazo este relacionamento, se ele for pautado na discórdia? Na briga?

Encerro, com a comparação de Rubem Alves aos relacionamentos que são Tênis e os que são Frescobol.

“No tênis seu objetivo é derrotar o adversário. Joga-se tênis para fazer o outro errar. Já no frescobol para o jogo ser bom, é preciso que nenhum dos dois perca. Se a bola veio torta, a gente sabe que não foi de propósito e faz o maior esforço do mundo para devolvê-la e não há ninguém derrotado.” RUBEM ALVES – Tênis x Frescobol


As dores e as delícias dos relacionamentos

Por Sophia Rodovalho
“Há relacionamentos que têm lá seus problemas... As diferenças são tão menores do que o valor que um dá para a outro, e isso é que interessa!” Charlie Brown Jr

Inicio este texto sobre os relacionamentos afetivos que estabelecemos, com um pensamento tão singelo e tão profundo de Charlie Brown Jr. que nos leva a pensarmos em quantas vezes os problemas (aparentemente gigantes e que nos sugam e envolvem) nos levam a brigar, perder a paciência, nos afastarmos de nossos parceiros!

O dia-a-dia, o mundo em que vivemos, as dificuldades que enfrentamos, a correria, a necessidade de ‘dar conta de tudo’, de ser bem-sucedido, as cobranças por desempenho cada vez melhor, as dificuldades financeiras que atropelam às famílias (e aos casais) na atualidade, as redes sociais e internet que cada vez mais ocupam espaço dentro das casas, ‘substituindo’ o diálogo ‘cara a cara’, as conversas, os ‘papos furados’, vão afastando os casais, que com o passar do tempo, passam a não mais conhecer aquele outro tão bem (aquele outro por quem se apaixonou, se envolvou e está junto) ...

E quando falamos de relacionamento, falamos de amor, falar de amor, é falar sobre cooperar, sobre estar junto, sobre ser amparo, sobre se doar, sobre dar amor, sobre dedicação... como Carl Jung, pontua adequadamente: “Onde o amor impera, não há desejo de poder; e onde o poder predomina, há falta de amor. Um é a sombra do outro.”.

Quando nos relacionamos, quando amamos, quando estamos com o outro, não precisamos ‘mandar’, não devemos querer ‘dominar’, dar a última palavra, sermos atendidos, darmos às ordens, não é a minha maneira de pensar e de querer que conta e não é a maneira de pensar e de querer do outro que conta, mas sim a maneira do casal ser, as decisões que tomaram juntos, os planos que fizeram juntos, as conversas longas que tiveram, o bate papo gostoso e sem briga! A cumplicidade e a confiança construída ao longo do tempo!

Rubem Alves, este querido e admirado mestre, que nos ensinou tanto sobre amor e deixou em seu texto Tênis x Frescobol, que fala de casamento, cita Nietzche, que afirma “Ao pensar sobre a possibilidade de casamento, cada um deveria fazer a seguinte pergunta: Crê que seria capaz de conversar com prazer com esta pessoa até sua velhice?”, pois como afirma Rubem Alves, tudo o mais nos casamentos é transitório, mas as relações que desafiam o tempo são aquelas construídas sobre a arte de conversar.

Áh a arte de conversar! Parece tão simples ... mas conversar é uma arte! Implica em falar, se expressar corretamente, mostrar o que pensa, o que quer, porque está bravo ou feliz, mas implica em ser um bom ouvinte, escutar, sem reservas, escutar sem ficar mentalmente rebatendo o que o outro fala, para que, ao final da frase deste, já venha a resposta formada e cheia de ‘argumentos’. Mas por que isso nos relacionamentos afetivos?

Guardemos as armas! Guardemos as reservas! Deixemos argumentos, ‘brigas’, discussões, rebater o que o outro disse, para quem lida diretamente com negociações, brigas, acordos, o casal deve aprender a falar, mas fundamentalmente a ouvir.

Quando ouço o que o outro me fala, posso entende-lo, posso compreender seus motivos, suas razões, suas inseguranças. Posso escutar as justificativas para os ‘erros’, posso entender porque errou, se atrapalhou, ‘pisou na bola’, mas quando, ao invés de escutar, acuso, aponto, brigo, argumento e estou cheia (o) de razão, apenas permaneço em um bate-boca infinito, que terá um vencedor e um vencido, um derrotado.

Nossa! Um derrotado em um casal? Repensemos... o casal derrotando um ao outro? Quando é que isso significou companheirismo, diálogo, troca, apoio e suporte?!

Será mesmo que existe a possibilidade de dar certo a longo prazo este relacionamento, se ele for pautado na discórdia? Na briga?

Encerro, com a comparação de Rubem Alves aos relacionamentos que são Tênis e os que são Frescobol.

“No tênis seu objetivo é derrotar o adversário. Joga-se tênis para fazer o outro errar. Já no frescobol para o jogo ser bom, é preciso que nenhum dos dois perca. Se a bola veio torta, a gente sabe que não foi de propósito e faz o maior esforço do mundo para devolvê-la e não há ninguém derrotado.” RUBEM ALVES – Tênis x Frescobol


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