“A gente enverga, mas não quebra.”

E a gente vai vivendo um dia de cada vez, vai solucionando os problemas triviais do dia a dia, vai fazendo pequenos planos (aquela viagem, aquela pequena reforma na casa, aquele curso diferente, dentre outros), vai sorrindo, vai tropeçando, vai chorando um pouquinho, mas tudo, ali, dentro do esperado … porém, de repente e não mais que de repente, vem a vida e não muda as regras do jogo, vem a vida, fecha o tabuleiro e nos apresenta uma batalha a ser vencida!

Falta o chão! Falta o ar! O medo nos invade! A ansiedade quase é incontrolável! O pensamento fica confuso! Lágrimas teimosas descem dos olhos, mesmo sem permissão…

Tais situações são chamadas de obstáculos, problemas, situações adversas, dificuldades, mudanças e elas são assim mesmo: difíceis, nos tiram de nossa homeostase, de nosso equilíbrio, nos fazem sentir medo, sentir receio, nos deixam inseguros, tristes, tensos.

Há um provérbio japonês que diz: “As dificuldades são como as montanhas. Elas só se aplainam quando avançamos sobre elas.”. Orientais, geralmente, muito centrados, muito reflexivos nos ajudam a pensar que, apesar da vontade de fugirmos, de nos escondermos, de acharmos um local seguro e tranquilo e dali não sairmos, esta vontade não nos ajudará a resolvermos nenhum destes problemas e nem mesmo a aplainarmos o terreno da vida e a lidarmos melhor com os próximos problemas que virão.

E muitos podem dizer ou pensar: “Áh, mas é fácil falar isso, porque você não está passando pelo que eu estou passando.”, fato! Verdade! Nenhum de nós passa pelos mesmos problemas, pelas mesmas situações, pelas mesmas dificuldades ou mudanças e mais, cada um de nós reage a elas a partir de nossa história de vida, de nossos referenciais, de nossas vivências, medos, dificuldades, habilidades, competências, dentre outros. Existe uma frase muito bonita e empática que escutei, porém o autor ainda é desconhecido para mim, mas esta cabe muito bem na coluna de hoje, diz mais ou menos assim: “Todo mundo que a gente encontrar na vida está enfrentando uma batalha, que não sabemos nada a respeito. Sejamos gentis com todos, sempre!”.

Sim, todos enfrentamos muitas batalhas e muitas dificuldades, sempre, mas a gentileza, a empatia, nos ajuda a acolhermos o outro mesmo que não possamos fazer nada prático para ajuda-lo, nosso olhar empático e cuidadoso já terá sido suficiente para lhe dar fôlego e ajudar no enfrentamento do problema e a recíproca segue sendo verdadeira: diante de nossas batalhas, de nossas dificuldades, encontrarmos o carinho, o afeto, a acolhida, a compreensão e a preocupação dos que conosco convivem é um agente facilitador e nos confere um ânimo e uma ‘força’ para enfrentarmos tudo aquilo que nos machuca tanto.

Tudo isso, nada mais é do que a tão falada resiliência, isto é, a capacidade de uma pessoa lidar com seus próprios problemas, vencer obstáculos e não ceder à pressão, seja qual for a situação. Para a Psicologia, a resiliência é a possibilidade do indivíduo de tomar uma decisão, apesar do medo que isso possa ocasionar. A resiliência é a capacidade que temos de funcionar sobre pressão, sem nos deixarmos abater e, com o tempo, retomarmos o equilíbrio e a homeostase.

Lembremos que não precisamos ser resilientes sozinhos, não precisamos enfrentar tudo sozinhos. Podemos e devemos nos apoiar em nossos familiares, nossos amigos próximos, podemos e devemos pedir ajuda profissional quando percebermos que a carga está muito pesada.

Encerro a coluna de hoje, com um convite a reflexão, de Carl Gustav Jung, que foi um psiquiatra e psicoterapeuta suíço, um dos fundadores da psicologia analítica: “Nós não podemos mudar nada sem que primeiro a aceitemos.”.

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