Em manifestação do último sábado (31 ), a promotora de Justiça Luciana André Jordão Dias pediu que os 13 policiais militares envolvidos na operação que resultou na morte de nove jovens em Paraisópolis, em São Paulo, sejam levados a júri popular.
Os fatos ocorreram na madrugada de 1º de dezembro de 2019, durante a chamada Operação Pancadão, realizada pela Polícia Militar na região da zona sul da capital. Conforme descrito na denúncia e reforçado nos memoriais, a intervenção policial resultou em tumulto, correria e esmagamento de pessoas.

Todos os acusados respondem por lesões corporais e homicídios triplamente qualificados (motivo torpe, recurso que impossibilitou a defesa das vítimas e meio cruel associado ao perigo comum), após denúncia formalizada pelo Ministério Público.
Para Luciana, os elementos colhidos ao longo da investigação e da instrução processual demonstram que os policiais agiram, no mínimo, com dolo eventual, ao assumirem conscientemente o risco de produzir o resultado morte.
A promotora sustenta que houve atuação coordenada das equipes, com fechamento simultâneo das extremidades da via onde ocorria o baile, uso desproporcional da força, lançamento de bombas de efeito moral e emprego de violência física, criando um cenário de pânico generalizado e impedindo rotas seguras de fuga.
Segundo a manifestação, laudos periciais, imagens de câmeras, registros do Centro de Operações da Polícia Militar (COPOM) e depoimentos de vítimas e testemunhas indicam que a multidão foi encurralada e empurrada para a Viela do Louro, espaço incompatível com o volume de pessoas presentes. Nove jovens morreram por asfixia decorrente de sufocação indireta, enquanto outras vítimas sofreram lesões corporais durante a dispersão.




