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É possível viver bem e ter o diagnóstico de Transtorno Bipolar de Personalidade?

Por Sophia Rodovalho

Todos nós, em algum momento da vida, já mudamos rapidamente de opinião ou ainda de humor e muitas vezes ouvimos brincadeiras do tipo: “Nossa, você é bipolar?” ou “Iiii mudou de novo, está bipolar, hein?” ou ainda “Ficou triste de repente, credo, que bipolar.”.

Não faça estas ‘brincadeiras’, por favor, não seja essa pessoa. Aparentemente, o transtorno bipolar de personalidade foi reduzido a mudança rápida de opinião e/ou de humor, uma indecisão e este é muito mais amplo e complexo do que apenas isso.

Dr. Drauzio Varella afirma que o transtorno afetivo bipolar é um distúrbio psiquiátrico complexo, cuja característica mais marcante é a alternância, às vezes súbita, de episódios de depressão com os de euforia e de períodos assintomáticos entre eles.

Estas ‘flutuações’ de humor têm reflexo negativo sobre comportamentos dos pacientes e normalmente a reação que provocam é sempre desproporcional aos fatos que serviram de gatilho, isto é, são sempre mais ‘fortes’ do que o gatilho em si, por isso, não é raro parentes ou amigos próximos dizerem: “Nossa tudo isso só por causa disso? Nem era para tanto.”.

“Em meio aos meus gritos, habitam sussurros de paz.” Matheus Barcelos, ‘herói-bipolar’.

E é assim a vida de uma pessoa que sofre com o transtorno afetivo bipolar. A bipolaridade consiste na permanência no estado de euforia ou sintomas depressivos por um período superior a três semanas e de forma constante e progressiva. É importante salientar que humor linear, totalmente equilibrado é algo que quase ninguém tem. Todos podemos apresentar oscilações no estado de humor devido a fatores externos e até a fatores de ordem interna. Essas oscilações não configuram necessariamente em um quadro de bipolaridade. É possível acordar bem e, ao final da tarde, estar de mau humor.

A fase de mania/euforia pode ser marcada por episódios de distração repentina, redução na necessidade de sono, capacidade de discernimento diminuída, pouco controle sobre o temperamento, compulsão alimentar ou abuso do álcool ou de drogas, gastos excessivos, hiperatividade, pensamentos acelerados e que se atropelam, fala excessiva, alto estima elevada e grande agitação ou irritação, dentre outros menos comuns. A fase maníaca do transtorno bipolar pode durar dias e até mesmo meses.

Já a fase depressiva pode ser marcada por desânimo diário ou tristeza, dificuldade de se concentrar, de lembrar ou de tomar decisões, perda de peso e perda de apetite ou comer excessivamente e ganho de peso, fadiga ou falta de energia são muito comuns, sentir-se inútil, sem esperança ou culpado, perda de interesse nas atividades que antes eram prazerosas, problemas para dormir ou excesso de sono, afastamento dos amigos ou das atividades que antes eram prazerosas, os pensamentos sobre morte e suicídio não são incomuns também e podem aparecer com alguma frequência.

A ajuda médica (psiquiatra) é muito importante para garantir a qualidade de vida de uma pessoa com transtorno bipolar. É possível ter uma vida normal mesmo tendo a doença. O tratamento, no entanto, é indispensável e deve ser seguido à risca. O paciente não deve deixar remédios, pular dias sem tomar a medicação, escolher tomar somente aquele medicamento que ‘prefere’, pois tais condutas dificultam a eficácia do medicamento e consequentemente a melhora.

A psicoterapia é uma outra parte vital do tratamento de transtorno bipolar, pois oferece suporte para o paciente superar as dificuldades impostas pelas características da doença, ajuda a prevenir a recorrência das crises e, especialmente, promove a adesão ao tratamento medicamentoso que, como ocorre na maioria das doenças crônicas, deve ser mantido por toda a vida.

O transtorno bipolar não tem cura, mas pode ser controlado. O tratamento inclui o uso de medicamentos, psicoterapia e mudanças no estilo de vida, tais como o fim do consumo de substâncias psicoativas, (cafeína, anfetaminas, álcool e cocaína, por exemplo), o desenvolvimento de hábitos saudáveis de alimentação e sono e redução dos níveis de estresse.

Vale salientar que seguir o tratamento à risca é a melhor forma de prevenir a instabilidade emocional e a recorrência das crises, o que assegura a possibilidade de levar vida praticamente normal. A medicação pode não fazer o efeito desejado logo nas primeiras doses que, muitas vezes, precisam ser ajustadas ao longo do tratamento; muitas vezes o paciente pode procurar alívio para os sintomas no álcool e em outras drogas, solução que só ajuda a agravar o quadro.

A família pode precisar também de acompanhamento psicoterápico, por duas diferentes razões: primeira, porque o distúrbio pode afetar todos que convivem diretamente com o paciente; segunda, porque precisa ser orientada sobre como lidar no dia a dia com os portadores do transtorno.

E por fim, o paciente com transtorno bipolar vai precisar fazer muitas mudanças de estilo de vida para parar com as oscilações de comportamento: largar vícios, parar de beber ou de usar drogas, mesmo que seja somente para uso recreativo e relacionar-se com pessoas positivas, é  importante ficar longe de relacionamentos que não sejam saudáveis e que não façam bem, exercícios físicos regulares são de extrema importância, pois a atividade física regular e moderada pode ajudar a estabilizar o humor e dormir bem é muito importante.

E para os familiares e amigos de uma pessoa que tem o transtorno, é importante não manter qualquer discriminação ou rótulo, do tipo: "você é doente", "você é um bipolar", "não dá para confiar, pois nunca sabemos quando vai adoecer" e outras observações negativas, conduzir a uma vida normal, sendo suporte nos períodos de crise ou de surto e ajudando na reinserção social logo que a crise seja controlada, estar atento aos possíveis "gatilhos" desencadeadores de crises e, através de um diálogo construtivo, acompanhar e incentivar a pessoa a buscar um tratamento seguro e eficaz.

A família deve se lembrar de pedir orientação também ao profissional que cuida de seu familiar sempre que sentir necessidade.

Encerro, como de costume, com um convite a reflexão: “É fácil amar os que estão longe. Mas nem sempre é fácil amar os que vivem ao nosso lado.” Madre Teresa de Calcutá

Contato: sophiarodovalho@rapidonoar.com.br

É possível viver bem e ter o diagnóstico de Transtorno Bipolar de Personalidade?

Por Sophia Rodovalho

Todos nós, em algum momento da vida, já mudamos rapidamente de opinião ou ainda de humor e muitas vezes ouvimos brincadeiras do tipo: “Nossa, você é bipolar?” ou “Iiii mudou de novo, está bipolar, hein?” ou ainda “Ficou triste de repente, credo, que bipolar.”.

Não faça estas ‘brincadeiras’, por favor, não seja essa pessoa. Aparentemente, o transtorno bipolar de personalidade foi reduzido a mudança rápida de opinião e/ou de humor, uma indecisão e este é muito mais amplo e complexo do que apenas isso.

Dr. Drauzio Varella afirma que o transtorno afetivo bipolar é um distúrbio psiquiátrico complexo, cuja característica mais marcante é a alternância, às vezes súbita, de episódios de depressão com os de euforia e de períodos assintomáticos entre eles.

Estas ‘flutuações’ de humor têm reflexo negativo sobre comportamentos dos pacientes e normalmente a reação que provocam é sempre desproporcional aos fatos que serviram de gatilho, isto é, são sempre mais ‘fortes’ do que o gatilho em si, por isso, não é raro parentes ou amigos próximos dizerem: “Nossa tudo isso só por causa disso? Nem era para tanto.”.

“Em meio aos meus gritos, habitam sussurros de paz.” Matheus Barcelos, ‘herói-bipolar’.

E é assim a vida de uma pessoa que sofre com o transtorno afetivo bipolar. A bipolaridade consiste na permanência no estado de euforia ou sintomas depressivos por um período superior a três semanas e de forma constante e progressiva. É importante salientar que humor linear, totalmente equilibrado é algo que quase ninguém tem. Todos podemos apresentar oscilações no estado de humor devido a fatores externos e até a fatores de ordem interna. Essas oscilações não configuram necessariamente em um quadro de bipolaridade. É possível acordar bem e, ao final da tarde, estar de mau humor.

A fase de mania/euforia pode ser marcada por episódios de distração repentina, redução na necessidade de sono, capacidade de discernimento diminuída, pouco controle sobre o temperamento, compulsão alimentar ou abuso do álcool ou de drogas, gastos excessivos, hiperatividade, pensamentos acelerados e que se atropelam, fala excessiva, alto estima elevada e grande agitação ou irritação, dentre outros menos comuns. A fase maníaca do transtorno bipolar pode durar dias e até mesmo meses.

Já a fase depressiva pode ser marcada por desânimo diário ou tristeza, dificuldade de se concentrar, de lembrar ou de tomar decisões, perda de peso e perda de apetite ou comer excessivamente e ganho de peso, fadiga ou falta de energia são muito comuns, sentir-se inútil, sem esperança ou culpado, perda de interesse nas atividades que antes eram prazerosas, problemas para dormir ou excesso de sono, afastamento dos amigos ou das atividades que antes eram prazerosas, os pensamentos sobre morte e suicídio não são incomuns também e podem aparecer com alguma frequência.

A ajuda médica (psiquiatra) é muito importante para garantir a qualidade de vida de uma pessoa com transtorno bipolar. É possível ter uma vida normal mesmo tendo a doença. O tratamento, no entanto, é indispensável e deve ser seguido à risca. O paciente não deve deixar remédios, pular dias sem tomar a medicação, escolher tomar somente aquele medicamento que ‘prefere’, pois tais condutas dificultam a eficácia do medicamento e consequentemente a melhora.

A psicoterapia é uma outra parte vital do tratamento de transtorno bipolar, pois oferece suporte para o paciente superar as dificuldades impostas pelas características da doença, ajuda a prevenir a recorrência das crises e, especialmente, promove a adesão ao tratamento medicamentoso que, como ocorre na maioria das doenças crônicas, deve ser mantido por toda a vida.

O transtorno bipolar não tem cura, mas pode ser controlado. O tratamento inclui o uso de medicamentos, psicoterapia e mudanças no estilo de vida, tais como o fim do consumo de substâncias psicoativas, (cafeína, anfetaminas, álcool e cocaína, por exemplo), o desenvolvimento de hábitos saudáveis de alimentação e sono e redução dos níveis de estresse.

Vale salientar que seguir o tratamento à risca é a melhor forma de prevenir a instabilidade emocional e a recorrência das crises, o que assegura a possibilidade de levar vida praticamente normal. A medicação pode não fazer o efeito desejado logo nas primeiras doses que, muitas vezes, precisam ser ajustadas ao longo do tratamento; muitas vezes o paciente pode procurar alívio para os sintomas no álcool e em outras drogas, solução que só ajuda a agravar o quadro.

A família pode precisar também de acompanhamento psicoterápico, por duas diferentes razões: primeira, porque o distúrbio pode afetar todos que convivem diretamente com o paciente; segunda, porque precisa ser orientada sobre como lidar no dia a dia com os portadores do transtorno.

E por fim, o paciente com transtorno bipolar vai precisar fazer muitas mudanças de estilo de vida para parar com as oscilações de comportamento: largar vícios, parar de beber ou de usar drogas, mesmo que seja somente para uso recreativo e relacionar-se com pessoas positivas, é  importante ficar longe de relacionamentos que não sejam saudáveis e que não façam bem, exercícios físicos regulares são de extrema importância, pois a atividade física regular e moderada pode ajudar a estabilizar o humor e dormir bem é muito importante.

E para os familiares e amigos de uma pessoa que tem o transtorno, é importante não manter qualquer discriminação ou rótulo, do tipo: "você é doente", "você é um bipolar", "não dá para confiar, pois nunca sabemos quando vai adoecer" e outras observações negativas, conduzir a uma vida normal, sendo suporte nos períodos de crise ou de surto e ajudando na reinserção social logo que a crise seja controlada, estar atento aos possíveis "gatilhos" desencadeadores de crises e, através de um diálogo construtivo, acompanhar e incentivar a pessoa a buscar um tratamento seguro e eficaz.

A família deve se lembrar de pedir orientação também ao profissional que cuida de seu familiar sempre que sentir necessidade.

Encerro, como de costume, com um convite a reflexão: “É fácil amar os que estão longe. Mas nem sempre é fácil amar os que vivem ao nosso lado.” Madre Teresa de Calcutá

Contato: sophiarodovalho@rapidonoar.com.br

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