• Facebook
  • Twitter
  • YouTube
  • Instagram

Sócios da CCR vão rever acordo de acionistas

Por Estadão Conteúdo
Os sócios da CCR, uma das maiores empresas de concessões públicas do Brasil, deram início a conversas para rever o acordo de acionistas da companhia. Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa e Soares Penido buscam rever o contrato para que possam vender - total ou parcialmente - suas participações. Outra possibilidade é a entrada de um quarto investidor na companhia, que administra rodovias, como o Sistema Anhanguera-Bandeirantes, e aeroportos, como o de Confins, em Minas Gerais.

As discussões do acordo, ainda em estágio inicial, buscam costurar uma porta de saída para alguns sócios, que precisam levantar recursos para seus grupos - alguns em situação delicada Com um portfólio valioso de negócios e com elevada geração de caixa, a CCR sempre foi preservada pelos acionistas, que se negavam a vender suas participações. Mas, com a crise que assolou o País e o setor, eles tiveram de rever suas posições.

O envolvimento de gestores da CCR na Operação Lava Jato, no entanto, colocou a concessionária nos holofotes. Desde que as primeiras denúncias vieram à tona, a companhia perdeu quase R$ 3 bilhões em valor de mercado. Na sexta-feira, a empresa era avaliada em R$ 20,02 bilhões. No fim de dezembro, esse valor era quase 63% maior: R$ 32,6 bilhões.

Fontes próximas a um dos acionistas disseram que a preocupação atual dos controladores da companhia - que criou um comitê independente para investigar o caso internamente - é entender quais serão as implicações das denúncias na empresa. Mas não acreditam que esse seja o melhor momento para se desfazer da companhia.

A reportagem apurou que há investidores interessados na concessionária. Os fundos GIC e Temasek, ambos de Cingapura, foram apontados como potenciais compradores. Mas, pela qualidade dos ativos envolvidos, é possível que quando as negociações começarem, de fato, outros nomes entrem na disputa, como os grupos brasileiros de concessões rodoviárias.

Por trás da decisão dos sócios de reduzir a participação na CCR está o envolvimento na Operação Lava Jato. A Camargo Corrêa, por exemplo, já se desfez de importantes ativos (Alpargatas e CPFL) desde que o escândalo de corrupção estourou no Brasil. De lá para cá, o grupo busca um novo rumo para os negócios, como transformar a companhia numa holding de investimentos. Primeira empresa da Lava Jato a fechar um acordo de leniência, a Camargo não tem pressa para vender a CCR, disseram fontes.

Por outro lado, a Andrade Gutierrez precisa levantar dinheiro com urgência. A construtora tem uma dívida US$ 500 milhões (R$ 1,85 bilhão pela cotação de sexta-feira) vencida em abril e que até agora não pagou - ela negocia com a Pimco um empréstimo, que teria como garantia ações da CCR, para quitar a dívida. Ao mesmo tempo, o Tribunal de Contas da União (TCU) bloqueou R$ 508 milhões da empresa.

Com a forte queda na valorização das ações da CCR, no entanto, a Andrade tem perdido poder de barganha nas negociações para resolver sua situação financeira, afirmam fontes. No mercado, especialistas afirmam que, além das recentes implicações na Lava Jato, a CCR também decepcionou o mercado com o lento programa de expansão. No começo do ano passado, o grupo captou R$ 4 bilhões para investimento, mas até agora usou pouco desses recursos. Com a Lava Jato, a empresa se retraiu ainda mais.

Denúncia
Em depoimento de sua delação premiada à Lava Jato, o operador Adir Assad afirmou ter recebido por meio de suas empresas de fachada cerca de R$ 46 milhões de concessionárias de rodovias do Grupo CCR. A delação integra a documentação da 48ª fase da operação, que investiga irregularidades em rodovias e envolve empresas que conquistaram concessões no Estado de São Paulo durante as gestões tucanas de Geraldo Alckmin e José Serra.

Os repasses teriam sido efetuados entre 2009 e 2012 e parte dos valores, segundo Assad, foi entregue ao ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza. Procuradas, as defesas de Adir Assad e Paulo Souza não retornaram. O PSDB também não respondeu.

Em nota, a Camargo Corrêa informou que "não tem nenhum interesse em sequer diminuir sua participação na CCR. Pelo contrário, continua convicta do potencial e crescimento da companhia". A Andrade Gutierrez afirmou que não comenta boatos do mercado. Soares Penido e Temasek não comentam. O GIC não retornou os pedidos de entrevista.

Sócios da CCR vão rever acordo de acionistas

Por Estadão Conteúdo
Os sócios da CCR, uma das maiores empresas de concessões públicas do Brasil, deram início a conversas para rever o acordo de acionistas da companhia. Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa e Soares Penido buscam rever o contrato para que possam vender - total ou parcialmente - suas participações. Outra possibilidade é a entrada de um quarto investidor na companhia, que administra rodovias, como o Sistema Anhanguera-Bandeirantes, e aeroportos, como o de Confins, em Minas Gerais.

As discussões do acordo, ainda em estágio inicial, buscam costurar uma porta de saída para alguns sócios, que precisam levantar recursos para seus grupos - alguns em situação delicada Com um portfólio valioso de negócios e com elevada geração de caixa, a CCR sempre foi preservada pelos acionistas, que se negavam a vender suas participações. Mas, com a crise que assolou o País e o setor, eles tiveram de rever suas posições.

O envolvimento de gestores da CCR na Operação Lava Jato, no entanto, colocou a concessionária nos holofotes. Desde que as primeiras denúncias vieram à tona, a companhia perdeu quase R$ 3 bilhões em valor de mercado. Na sexta-feira, a empresa era avaliada em R$ 20,02 bilhões. No fim de dezembro, esse valor era quase 63% maior: R$ 32,6 bilhões.

Fontes próximas a um dos acionistas disseram que a preocupação atual dos controladores da companhia - que criou um comitê independente para investigar o caso internamente - é entender quais serão as implicações das denúncias na empresa. Mas não acreditam que esse seja o melhor momento para se desfazer da companhia.

A reportagem apurou que há investidores interessados na concessionária. Os fundos GIC e Temasek, ambos de Cingapura, foram apontados como potenciais compradores. Mas, pela qualidade dos ativos envolvidos, é possível que quando as negociações começarem, de fato, outros nomes entrem na disputa, como os grupos brasileiros de concessões rodoviárias.

Por trás da decisão dos sócios de reduzir a participação na CCR está o envolvimento na Operação Lava Jato. A Camargo Corrêa, por exemplo, já se desfez de importantes ativos (Alpargatas e CPFL) desde que o escândalo de corrupção estourou no Brasil. De lá para cá, o grupo busca um novo rumo para os negócios, como transformar a companhia numa holding de investimentos. Primeira empresa da Lava Jato a fechar um acordo de leniência, a Camargo não tem pressa para vender a CCR, disseram fontes.

Por outro lado, a Andrade Gutierrez precisa levantar dinheiro com urgência. A construtora tem uma dívida US$ 500 milhões (R$ 1,85 bilhão pela cotação de sexta-feira) vencida em abril e que até agora não pagou - ela negocia com a Pimco um empréstimo, que teria como garantia ações da CCR, para quitar a dívida. Ao mesmo tempo, o Tribunal de Contas da União (TCU) bloqueou R$ 508 milhões da empresa.

Com a forte queda na valorização das ações da CCR, no entanto, a Andrade tem perdido poder de barganha nas negociações para resolver sua situação financeira, afirmam fontes. No mercado, especialistas afirmam que, além das recentes implicações na Lava Jato, a CCR também decepcionou o mercado com o lento programa de expansão. No começo do ano passado, o grupo captou R$ 4 bilhões para investimento, mas até agora usou pouco desses recursos. Com a Lava Jato, a empresa se retraiu ainda mais.

Denúncia
Em depoimento de sua delação premiada à Lava Jato, o operador Adir Assad afirmou ter recebido por meio de suas empresas de fachada cerca de R$ 46 milhões de concessionárias de rodovias do Grupo CCR. A delação integra a documentação da 48ª fase da operação, que investiga irregularidades em rodovias e envolve empresas que conquistaram concessões no Estado de São Paulo durante as gestões tucanas de Geraldo Alckmin e José Serra.

Os repasses teriam sido efetuados entre 2009 e 2012 e parte dos valores, segundo Assad, foi entregue ao ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza. Procuradas, as defesas de Adir Assad e Paulo Souza não retornaram. O PSDB também não respondeu.

Em nota, a Camargo Corrêa informou que "não tem nenhum interesse em sequer diminuir sua participação na CCR. Pelo contrário, continua convicta do potencial e crescimento da companhia". A Andrade Gutierrez afirmou que não comenta boatos do mercado. Soares Penido e Temasek não comentam. O GIC não retornou os pedidos de entrevista.

INSTAGRAM

Loading interface...
© Rápido no Ar ® - O que acontece você vê!