Cerca de 2 milhões de pessoas trabalharam por meio de aplicativos no Brasil em 2025, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (4). Motoristas e entregadores representam uma parcela expressiva desse grupo, que trabalha mais horas por semana e recebe menos por hora do que os demais ocupados do setor privado.
Motoristas concentram maior parcela
A pesquisa identificou 1,959 milhão de trabalhadores de plataformas digitais, o equivalente a 1,9% das pessoas ocupadas no país.
Cerca de 1,2 milhão atuavam com aplicativos de transporte de passageiros, representando 58,9% do total. Desse grupo, aproximadamente 1,1 milhão utilizava plataformas de transporte privado, enquanto 232 mil trabalhavam exclusivamente com aplicativos de táxi.
Os entregadores também aparecem com participação relevante. Eram 376 mil pessoas realizando entregas de comida e outros produtos, o equivalente a 19,2% dos trabalhadores por plataformas.
Outras 313 mil pessoas utilizavam aplicativos para prestação de serviços gerais ou profissionais, grupo que inclui atividades como design, tradução e até serviços relacionados à telemedicina.
Jornada é maior e ganho por hora é menor
Um dos pontos destacados pelo levantamento é a diferença na jornada de trabalho. Quem trabalhava por aplicativo cumpria, em média, 44,7 horas semanais, enquanto os demais trabalhadores registravam 39,3 horas.
O rendimento mensal médio ficou praticamente igual: R$ 3.147 entre os trabalhadores de aplicativos e R$ 3.148 entre os demais.
Porém, devido à jornada mais extensa, a diferença aparece no valor recebido por hora. Trabalhadores de plataformas ganhavam, em média, R$ 16,20 por hora, contra R$ 18,40 dos demais — uma diferença de aproximadamente 12%.
Entre motoristas e entregadores que tinham os aplicativos como ocupação principal, o IBGE identificou ainda que não conseguir encontrar outro trabalho foi o principal motivo apontado para entrar na atividade.
Informalidade chega a 72,1%
A pesquisa também revela uma diferença significativa na proteção trabalhista e previdenciária.
Entre os trabalhadores de aplicativos, 72,1% estavam na informalidade, enquanto entre os demais trabalhadores esse percentual era de 42,7%.
A cobertura previdenciária também é menor: apenas 34% dos trabalhadores por plataformas contribuíam para a Previdência, contra 63% entre os demais.
Apesar de 86,8% se declararem trabalhadores por conta própria, o IBGE identificou dependência das plataformas em diferentes aspectos da atividade.
Entre motoristas de transporte de passageiros, por exemplo, 80,2% disseram que o valor recebido por cada serviço depende totalmente da plataforma. Entre entregadores, o percentual chega a 78,3%.
Número cresceu nos últimos anos
Considerando somente quem tinha os aplicativos como trabalho principal — metodologia que permite comparação com levantamentos anteriores —, o contingente passou de 1,3 milhão em 2022 para 1,7 milhão em 2024 e 1,8 milhão em 2025.
Isso representa crescimento de 36,8% em três anos.
A pesquisa do IBGE ainda tem caráter experimental. Após a divulgação, a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que representa empresas do setor, afirmou que o estudo apresenta limitações metodológicas e questionou alguns dos resultados.




