Mogi Mirim e Independente se enfrentam neste sábado, às 15h, no Estádio Vail Chaves, pela 2ª rodada do Campeonato Paulista da Segunda Divisão, a chamada Bezinha. Na estreia, o Galo venceu a Matonense por 2 a 0, mesmo placar da derrota do Sapão em São Carlos.
Segundo o historiador Kina Mercuri, esta história entre eles começou há mais de 50 anos, mais precisamente em 1972, com a vitória galista por 2 a 1.
O grande ano de confrontos emblemáticos aconteceu no Campeonato da 2ª Divisão de 1982 – hoje Série A-2 – que um dia já foi chamada de 1ª Divisão e Intermediária, coisas da FPF.
Neste ano um regulamento bem complicado. Em resumo eram 54 clubes, divididos em quatro grupos com denominações de cores: Branco, Preto, Vermelho e Amarelo. Cada grupo de (13 e 14 clubes) era dividido em dois.
Tomamos como exemplo o Grupo do Galo, que era o Branco, com 13 clubes. Eles foram divididos em Séries E e F.
Dentro de seus “grupos”, todos jogavam em turno único, contra todos, só que a classificação era dentro de sua série. O Galo terminou em 1º na Série F.
Ao final do turno os quatro primeiros da Série E disputaram para ver quem qualificaria para a final dos dois turnos. O campeão foi o Primavera.
Na Série F, o Independente teve a companhia de Velo Clube, Mogi Mirim e União São João. O Velo venceu. Então, os times disputaram para ver o campeão do turno do Grupo Branco. O Primavera venceu o Velo duas vezes e se qualificou.
A fórmula se repetiu no 2º turno, com jogos de volta. Na Série E, o Rio Branco levou, qualificando-se para a final do returno. Na Série F, o Mogi Mirim (vamos contar abaixo a tragédia do Pradão) foi quem levou. No returno, o Mogi Mirim eliminou o Rio Branco (aqui era para estar o Galo).
E para se achar o campeão geral do Grupo Branco, Mogi Mirim eliminou o Primavera (com três empates 0 x 0, 0 x 0 e 2 x 2 (passou com a melhor campanha) se qualificando para enfrentar num quadrangular os campeões dos outros três grupos, representado pelas cores: Preto, Vermelho e Amarelo. O Taquaritinga foi o grande campeão, acendeu a Divisão Maior.
Seis vezes
O Independente enfrentou o Mogi Mirim seis vezes só em 1982. No primeiro turno, o alvinegro venceu por 2 a 0, em 14 de março, gols de Roberto Cruz e Pio.
No Quadrangular do 1º turno, o Galo empatou sem gols em Mogi Mirim, em 23 de maio e venceu no Pradão por 3 a 0, em 12 de junho, gols de João Luis Redigulo (2) e Roberto Cruz.
No returno do 2º turno, novo embate e desta vez, a primeira vitória do Mogi Mirim: 1 x 0, em pleno Pradão, no dia 10 de julho.
No Quadrangular do 2º turno, mais dois confrontos com uma vitória para cada lado. O Independente venceu em Mogi Mirim por 2 a 1, em 19 de setembro e o Sapão deu o troco em 10 de outubro, no Pradão, também por 2 a 1.
Aqui um resumo do que ocorreu neste quadrangular. Antes da partida final, o Galo tinha somado nove pontos, com quatro vitórias (Mogi Mirim, Pinhalense duas vezes e União São João), além de um empate.
O Mogi chegou até esta data com oito pontos. Ou seja, um empate bastava para o Galo seguir caminho.

No dia 10 de outubro, no Pradão, com mais de seis mil torcedores, debaixo de uma chuva torrencial, o Galo faz 1 a 0, gol do rápido ponta Marcinho. O ataque era muito bom e contava com Roberto Cruz, João Luis Redigulo, Pio, Jorginho, aí chegou João Luis Barbosa (estava emprestado ao Guarani). Lá atrás Renato, Vininho, Bigoto, Ari, Sivinho, Bosco e Vanderlei. O técnico era Anibal.
Tudo correndo bem. Só um dilúvio para mudar o cenário positivo. E não só o dilúvio (que já estava presente) como também o raio, que caiu duas vezes no Pradão, a partir dos 35 minutos do 2º tempo. Jorge Maravilha e Elson, emudeceram o Comendador Agostinho Prada.
O “Pradaço” marcava o fim da linha, em mais um ano. Mogi Mirim era nosso freguês no ano. Nos cinco jogos anteriores, eram três vitórias galistas, uma do Mogi e um empate. Só quem é galista da gema sabe o que foi este dia de Sarriá, de Maracanazzo ou de Pradaço!




