O Banco Central (BC) decidiu nesta quarta-feira (16) reduzir a taxa Selic de 14% para 13,75% ao ano. O corte de 0,25 ponto percentual foi aprovado por unanimidade pelo Comitê de Política Monetária (Copom) e representa a quinta redução consecutiva dos juros básicos da economia.
Apesar da continuidade do ciclo de cortes, o Copom destacou que o cenário externo permanece incerto, principalmente diante dos conflitos no Oriente Médio e das dúvidas sobre os rumos da política monetária nas principais economias.
Inflação desacelera, mas ainda preocupa
A Selic permaneceu em 15% ao ano entre junho de 2025 e março de 2026. O Banco Central começou a reduzir a taxa em abril, acompanhando o processo de desaceleração da inflação.
Em agosto, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou queda de 0,32%. No acumulado de 12 meses, a inflação ficou em 4,22%, abaixo dos 4,44% registrados até julho.
O centro da meta de inflação é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Dessa forma, o teto é de 4,5%.
O Copom avaliou que a inflação e seus principais indicadores apresentaram desaceleração, embora ainda permaneçam acima do centro da meta. A autoridade monetária também citou a possibilidade de impactos do El Niño sobre os preços dos alimentos nos próximos meses.
Conflitos no Oriente Médio exigem cautela
No comunicado divulgado após a reunião, o Banco Central destacou as incertezas provocadas pelos conflitos armados no Oriente Médio e pelo comportamento dos juros em economias avançadas.
Segundo o Copom, esse ambiente pode aumentar a volatilidade dos preços de ativos e de commodities, exigindo maior cautela dos países emergentes.
No cenário doméstico, o comitê identificou uma moderação gradual da atividade econômica, embora o mercado de trabalho continue aquecido.
O que a queda da Selic representa
A Selic funciona como referência para as demais taxas de juros cobradas no país. Uma redução tende a contribuir para a diminuição do custo do crédito ao longo do tempo, embora o repasse para empréstimos e financiamentos não seja necessariamente imediato ou na mesma proporção.
Juros menores também podem estimular o consumo e os investimentos. Em contrapartida, o Banco Central precisa acompanhar os efeitos sobre a inflação antes de avançar no ciclo de cortes.
Segundo o boletim Focus citado na reportagem, instituições financeiras projetam crescimento de 1,89% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 e inflação de 4,9% ao fim do ano.




