O número de apreensões de medicamentos emagrecedores contrabandeados no Brasil cresceu de forma expressiva nos últimos anos. Dados da Polícia Federal mostram que, apenas nos primeiros meses de 2026, as ocorrências já ultrapassaram o total registrado em todo o ano passado, impulsionadas principalmente pela entrada irregular de produtos vindos do Paraguai.
Carga de R$ 2 milhões foi apreendida no Paraná
Um dos casos mais recentes aconteceu em abril, na rodovia PR-445, próximo a Cambé (PR), quando a polícia interceptou um veículo após uma perseguição em alta velocidade.
No automóvel, os agentes encontraram cerca de 7 mil ampolas de tirzepatida, princípio ativo presente em medicamentos utilizados para emagrecimento, além de 880 celulares, 55 notebooks e anabolizantes. A carga foi avaliada pela Receita Federal em aproximadamente R$ 2 milhões.
O motorista afirmou que receberia R$ 5 mil para transportar os produtos de Medianeira, na fronteira com o Paraguai, até a capital paulista.
Número de apreensões cresce em ritmo acelerado
Segundo dados da Polícia Federal, as apreensões passaram de nove ocorrências em 2024 para 335 em 2025. Em 2026, até meados de junho, já foram registradas 758 ocorrências, número superior ao total do ano anterior.
O Paraná concentra 37% das apreensões e mais da metade das unidades retidas no país. Somado ao Mato Grosso do Sul, o corredor de fronteira com o Paraguai responde por quase metade dos casos registrados pelas autoridades.
As investigações apontam que os medicamentos entram principalmente pela região da tríplice fronteira e seguem por rodovias utilizadas por organizações criminosas para o transporte de mercadorias ilegais.
Anvisa alerta para riscos do consumo sem orientação médica
Além do avanço do contrabando, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) também registrou aumento nas notificações de efeitos adversos relacionados ao uso desses medicamentos.
Foram 257 notificações em 2023, 449 em 2024 e 1.122 em 2025. Apesar disso, a agência ressalta que não é possível relacionar diretamente os casos ao consumo de produtos contrabandeados.
Especialistas alertam que o uso sem acompanhamento médico representa um dos principais riscos. Segundo endocrinologistas, muitos consumidores obtêm orientações por redes sociais ou terceiros, sem avaliação profissional adequada.
A Anvisa reforça que medicamentos desse tipo exigem prescrição médica e acompanhamento especializado, já que possuem contraindicações e podem provocar efeitos adversos importantes em determinados pacientes.




