Uma situação cercada de mistério mobilizou a Guarda Civil Municipal (GCM) após a partida entre Inter de Limeira e Volta Redonda, disputada na noite de sábado (8), no Limeirão. O que começou com uma carteira encontrada sobre o capô de um carro terminou, horas depois, com um idoso de 75 anos localizado apenas de camiseta e cueca, completamente embriagado, em outro bairro da cidade.
Ver essa foto no Instagram
A história começou depois da vitória da Inter por 2 a 0. Um torcedor que havia acompanhado a partida deixou o estádio após as 21h e caminhou até o local onde havia estacionado seu Chevrolet Vectra, um pouco distante do Limeirão, nas proximidades de um terreno baldio e da Avenida Major José Levy Sobrinho.
Ao sair com o veículo, o motorista sentiu que havia passado sobre alguma coisa. Naquele momento, imaginou que pudesse ser uma pedra ou algum objeto deixado na rua e continuou o trajeto.
Pouco mais de um quarteirão depois, porém, veio a primeira surpresa.
O motorista percebeu que havia uma carteira sobre o capô do Vectra. Intrigado, parou o carro e verificou o objeto. Dentro estavam documentos pessoais e dinheiro.
Sem entender como aquela carteira havia ido parar sobre o veículo, ele decidiu retornar ao ponto onde havia estacionado durante o jogo. Foi então que a situação ficou ainda mais estranha.
Próximo ao local onde o Vectra estava anteriormente havia um par de tênis, uma calça jeans, chaves e outros pertences espalhados. O motorista deixou a carteira junto dos objetos e seguiu até a casa da sogra, onde buscaria a esposa e o bebê do casal.
A HISTÓRIA FICA AINDA MAIS ESTRANHA E UM CELULAR COMEÇA A TOCAR
Já na casa da sogra, outro fato chamou a atenção.
Um telefone celular começou a tocar, mas o aparelho não pertencia ao motorista. Sem saber de onde vinha o som, ele começou a procurar até perceber que havia um celular preso no vão entre o para-brisa e o capô do Vectra.
A descoberta aumentou ainda mais a preocupação.
Além da carteira que havia aparecido sobre o capô e dos objetos encontrados próximos ao terreno, o motorista também percebeu diversas marcas de mãos esbranquiçadas e sujeira na parte dianteira do veículo.
Sem conseguir entender o que havia acontecido e temendo que alguém pudesse estar em perigo, ele colocou a esposa e o bebê no carro e retornou ao Limeirão. A expectativa era encontrar policiais militares que haviam trabalhado na segurança da partida.
Quando chegou ao estádio, porém, o policiamento não estava mais no local, uma vez que o jogo já havia terminado há um bom tempo.
Foi nesse momento que ele encontrou a equipe esportiva do Rápido no Ar, que também se preparava para deixar o Limeirão, e conversava ainda com alguns jogadores. O motorista procurou a reportagem e contou toda a sequência de acontecimentos.
Diante da situação, a Guarda Civil Municipal foi acionada.
Os GCMs foram até o terreno e fizeram uma varredura pela área na tentativa de localizar o proprietário dos pertences. Ninguém foi encontrado.
Pelos documentos, os agentes descobriram que a carteira pertencia a um homem de 75 anos.
Enquanto os guardas ainda tentavam entender o que havia acontecido, o celular encontrado no carro tocou novamente. Desta vez, um dos agentes atendeu.
Do outro lado da linha estava a esposa do idoso.
Ela procurava desesperadamente pelo marido e relatava não ter notícias dele, aumentando a preocupação de todos que acompanhavam a ocorrência.
A situação passou a envolver uma série de perguntas: como a carteira havia ido parar sobre o capô? Por que o celular estava preso entre o para-brisa e o capô? Por que as roupas, os tênis e as chaves estavam abandonados perto do terreno? E, principalmente, onde estava o idoso?
As buscas continuaram.
Mistério termina depois da meia-noite
Somente depois da meia-noite a história começou a ser esclarecida.
Os guardas conseguiram localizar o homem no Jardim São Manuel, distante do ponto onde seus pertences haviam sido encontrados. Ele estava apenas de camiseta e cueca e apresentava sinais de forte embriaguez.
Apesar de toda a situação, não havia ocorrido acidente ou violência contra o idoso.
Ele foi levado em segurança para casa e seus pertences foram recuperados e devolvidos.
A ocorrência terminou sem feridos, mas poderia ter tido um desfecho bastante diferente.
A atitude do motorista foi fundamental. Mesmo sem conhecer o proprietário dos objetos e diante de uma situação difícil de compreender, ele procurou ajuda em vez de simplesmente ignorar o que havia encontrado.
A atuação da GCM também foi decisiva. Os agentes realizaram buscas, conversaram com a família e continuaram procurando pelo idoso até conseguirem localizá-lo após receber informações de que um idosa estava perambulando pela rua desorientado durante a madrugada. Os GCMs o levaram de volta para família.
O episódio ocorreu justamente no fim de semana do Dia dos Pais e também chama a atenção para as consequências que o abuso do álcool pode provocar não apenas para quem bebe, mas para toda uma família. Neste caso, uma esposa passou horas sem notícias do marido enquanto diferentes pessoas tentavam descobrir o que havia acontecido.
Por respeito ao idoso e aos familiares, o Rápido no Ar preserva a identidade dos envolvidos.
Uma história que começou com uma carteira misteriosamente encontrada sobre o capô de um carro, passou por roupas abandonadas, um celular tocando preso ao veículo e marcas de mãos e terminou, felizmente, sem violência e sem uma tragédia.




