Denunciadas pela Promotoria Criminal de Campinas (SP), duas mulheres que participaram de uma execução pelo chamado tribunal do crime foram condenadas – uma recebeu pena de 32 anos e a outra de 26 anos, ambas em regime fechado.
A promotoria reconheceu a prática de homicídio qualificado, cárcere privado, ocultação de cadáver, tortura e associação criminosa. As condenadas também não poderão recorrer em liberdade.
Conforme denúncia oferecida pela promotora de Justiça Yumica Asahara, o crime teve origem após uma das rés procurar integrantes de uma facção criminosa e acusar o ex-companheiro de ter abusado sexualmente da filha de ambos.
Em fevereiro de 2022, o homem e a companheira com quem mantinha relacionamento à época foram atraídos para uma emboscada sob o falso pretexto de receber informações sobre o paradeiro da adolescente, supostamente desaparecida. No local, ambos acabaram mantidos em cárcere privado.
Segundo as investigações, durante cerca de 12 dias as vítimas se viram submetidas a sucessivas sessões de tortura física e psicológica, com o objetivo de obter uma confissão. Em determinado momento, a mulher terminou sendo libertada, enquanto o homem foi transferido para outros cativeiros e nunca mais localizado, circunstância que levou o Ministério Público a imputar também o crime de ocultação de cadáver.
De acordo com a Promotoria, uma das rés participou do planejamento da ação ao acionar a facção criminosa e permaneceu no local durante o cárcere e as agressões. A outra também tomou parte na execução dos crimes, atuando na privação da liberdade das vítimas e nas sessões de violência.
A denúncia ainda apontou que uma adolescente foi exposta aos delitos praticados pelo grupo, circunstância reconhecida pelo Conselho de Sentença.
Ao fixar as penas, a magistrada destacou a elevada reprovabilidade das condutas e a extrema crueldade empregada contra as vítimas.




