A Secretaria de Saúde de Limeira (SP) concluiu, nesta semana, a investigação sobre a morte de Théo Benício Vantini de Azevedo, de 2 anos, e identificou falhas no atendimento de saúde, recebido antes do óbito. Diante das conclusões, o caso foi encaminhado ao Ministério Público (MP-SP), ao Conselho Regional de Medicina (Cremesp) e à CPI da Câmara Municipal para as providências cabíveis.
No dia 30 de setembro de 2025, segundo divulgado pelo Rápido No Ar, o menino Théo chegou sem vida ao Pronto Atendimento Municipal do bairro Aeroporto. No mesmo dia, a criança havia recebido alta duas vezes do Hospital Hapvida de Limeira.
O exame realizado pelo Serviço de Verificação de Óbito (SVO) de Limeira apontou que a causa da morte foi uma infecção bacteriana grave, com comprometimento dos pulmões e infecção generalizada. Segundo o relatório final, trata-se de um quadro que pode evoluir rapidamente em crianças e que exige atenção médica contínua e rigorosa.
O relatório final apontou que os registros médicos apresentam falhas importantes. Em alguns momentos, as informações descritas no prontuário não condizem com os sinais apresentados pela criança. Também não há registro de reavaliações médicas antes da alta, mesmo diante de sinais de agravamento do quadro, como batimentos cardíacos muito acima do normal para a idade.
“Constam registros de frequência cardíaca de até 181 bpm, reduzindo para 154 bpm após intervenção. Ambos os valores caracterizam taquicardia importante para a faixa etária, configurando sinal fisiológico objetivo de gravidade”, aponta o relatório.
Outro ponto destacado foi a ausência de exames básicos, como radiografia, que poderiam ajudar a identificar a gravidade da infecção, além da falta de encaminhamento para internação hospitalar, apesar da piora clínica relatada pela família.
O documento também aponta que não houve registro de suspeita de infecção generalizada, condição em que o tempo de resposta é decisivo para a sobrevivência do paciente.
“Não se identificou solicitação de exames laboratoriais básicos (tais como hemograma completo, PCR e outros) durante o segundo atendimento, apesar dos sinais clínicos sugestivos de possível evolução infecciosa sistêmica. Tais exames poderiam nortear melhor o diagnóstico e tratamento do menor, e, teriam dado possibilidade de intervenção assertiva no quadro séptico instalado”, destaca o relatório.
A investigação foi realizada a partir da análise de prontuários médicos, exames laboratoriais, laudos oficiais e relatórios das áreas de Vigilância Sanitária, Vigilância Epidemiológica, SVO e a Auditoria Municipal em Saúde.
No âmbito da Vigilância Sanitária, o hospital responsável pelos atendimentos foi autuado por irregularidades, incluindo a não comunicação de um caso positivo de Influenza A, doença de notificação obrigatória, além da demora ou ausência na entrega de documentos solicitados para a investigação.
Também foram identificados registros considerados insuficientes para comprovar o cumprimento de protocolos de segurança e a atuação de profissional no caso sem especialização em pediatria.
Segundo a Secretaria de Saúde, as falhas identificadas dificultam o acompanhamento adequado do atendimento prestado e ferem normas sanitárias e éticas que regulam os serviços de saúde.
Com base nessas conclusões, a administração municipal encaminhou toda a documentação ao Ministério Público, para apuração de possíveis responsabilidades, ao Conselho Regional de Medicina, para análise da conduta profissional e à Câmara Municipal, a pedido da CPI.




