Nunca a Internacional esteve tão perto de virar SAF (Sociedade Anônima de Futebol) como agora.
O ex-CEO do clube, Enrico Ambrogini, que tem família residindo na cidade, é o grande interessado em assumir o clube.
Junto com ele estariam o atacante Pablo, ex-São Paulo, Athletico/PR e Sport Recife e um empresário do ramo de calçados, que possui quase 200 lojas pelo Brasil – e que prefere não ter o nome revelado ainda.
Em uma entrevista exclusiva de quase duas horas ao Pimba nos Esportes da Rádio Melhor FM 82.9, Enrico conseguiu apresentar boa parte de seus planos para a Inter.
O grande problema é que parte do Conselho Deliberativo – seria minoria – estaria dificultando o acerto, o que gerou até uma faixa de protesto na frente do Limeirão. Seriam rusgas do passado que estão sendo trazidas para o atual momento. Já a grande maioria quer ouvir as propostas de Enrico numa futura reunião. E o CEO deu o prazo até 27 de fevereiro para uma definição.

Enrico, que inclusive relatou que foi ofendido nas cativas durante o jogo de sábado contra o Votuporanguense, disse que pelo seu planejamento pretende chegar ao valor de meio bilhão de reais em dez anos.
“Confesso, fiquei desanimado com o que aconteceu. Mas foi um ato isolado. O cara não teve apoio de quem estava ao lado dele. Ficou sozinho na hora. Estou aqui para ajudar a instituição. A torcida gosta de mim e me respeita. Várias vezes ajudei em caravanas. E fiz isso com prazer. Fui obrigado até a procurar um policial que estava no estádio para relatar essa ameaça. Depois, fui aconselhado e pude assistir o restante do jogo em paz. Detalhe: paguei ingresso tá”.
Se a SAF for aprovada, haveria um investimento de R$ 1,5 milhão à vista, na abertura da conta. Depois, são mais investimentos ao longo de 12 meses. Em 15 meses, o valor chegaria a R$ 20 milhões entre folha, estrutura e pagamento de dívida.
Enrico disse que a prioridade nesse momento seria a reforma do Centro de Treinamento, no Horto. Mas para a sua surpresa, o CEO foi informado que a Inter ainda não tem a posse do terreno onde está o CT. E que isso poderia gerar uma insegurança para investimentos futuros.
Para a Série C, a Inter teria um aporte imediato de mais R$ 500 mil acrescidos em sua folha de pagamento, podendo aumentar a competitividade do time em uma competição tão difícil.

Enrico se emocionou ao falar do avô, que faleceu recentemente. “Era meu porto seguro. Vou fazer de tudo para tornar a Inter ainda mais forte, caso consiga assumir o clube. Vou honrar o nome dele. Não estamos falando de um cara de fora da cidade, que ninguém conhece. Se eu falhar com a Inter e não cumprir o plano, sabem onde eu moro. Vão poder bater na porta de casa. Meus pais são médicos e têm um nome a zelar. As pessoas precisam levar em conta esse fator. Não estou para brincadeira. Meu plano para a Inter é muito sério”, justificou.
Enrico confidenciou que tem muita amizade com o presidente da Federação Paulista de Futebol, Reinaldo Carneiro Bastos e com o coordenador de seleções, Rodrigo Caeatano. Disse também que se reuniu com o prefeito Murilo Félix para buscar apoio.
Segundo informações, a Inter deve quase R$ 8 milhões de dívidas federais, sendo FGTS (cerca de 15%), Previdenciárias (maior fatia) e não tributáveis (cerca de 15% também). Vale lembrar, que a Inter não possui patrimônio, uma vez que o Estádio Major José Levy Sobrinho é uma concessão da Prefeitura.
“Temos cerca de 30 jogos na temporada, mas são 365 dias no ano. A gente futuramente pode fazer shows, eventos e até usar o estádio para o lazer da população. Temos condição para isso. Está no planejamento”, frisou.
Enrico, que se formou na Inglaterra, começou no futebol no Bom Senso FC, graças a um convite do ex-zagueiro Paulo André.
Ao longo dos anos, trabalhou com Ronaldo Fenômeno no Valladolid, da Espanha e no Cruzeiro. Também esteve no Figueirense e no Sport.
Enrico chegou a Internacional no fim de 2019 e ficou até o final do Paulistão de 2021, quando recebeu uma proposta irrecusável do Valladolid.
“Quando saí, deixei quase R$ 500 mil no caixa. Deixei a Inter porque o clube estava estruturado e com a renovação contratual do técnico Thiago Carpini bem encaminhada. Ele faria a Série D de 2021. Para minha surpresa, ele não ficou. Por outro lado, vi que o sistema de planilhas financeiras que adotei no clube logo em minha chegada está sendo utilizado até hoje”, contou.
O interessado pela SAF também falou sobre a importância da base e contou que, caso acerte, seria grande a probabilidade do retorno do supervisor João Vitor Fedato.
“Um dos melhores profissionais com quem já trabalhei. E olha que estive ao lado de gente muito boa e competente”, elogiou. “Todo clube precisa de uma base forte e com a gente não pode ser diferente. Não conheço o parceiro atual da Inter (Prime Sports) ainda, mas pretendo me inteirar de como está”, contou.
Enquanto Enrico dava entrevista, o Conselho Deliberativo se reunia no Limeirão. O presidente Danilo Maluf marcou presença e pode se pronunciar.
Segundo informações, a reunião durou horas (passou da meia noite). Conselheiros ausentes, marcaram presença. Algumas arestas foram aparadas. Mas, como em toda reunião, os nervos se afloravam em determinados momentos, principalmente com a “turma do contra”.
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