A Polícia Civil de Piracicaba esclareceu um caso de extorsão envolvendo a simulação de sequestro, cárcere privado e violência sexual. Uma mulher de 39 anos foi presa após investigações apontarem que ela utilizava narrativas falsas para obter dinheiro de duas amigas estrangeiras residentes em Portugal.
As investigações começaram em 23 de janeiro de 2026, após a Unidade de Polícia Judiciária Agrupada (UPJA) de Piracicaba receber uma denúncia telefônica vinda de Portugal. A comunicante relatou que uma amiga, moradora de Piracicaba (SP), estaria em cárcere privado, sendo torturada e vítima de violência sexual. Segundo o relato, um suposto criminoso exigia transferências bancárias e o envio de fotos íntimas como condição para libertação da vítima.
Diante da gravidade das informações, a equipe policial iniciou diligências imediatas para localizar a suposta vítima.
Contradições levantaram suspeitas
Durante a apuração, os investigadores entraram em contato com familiares da mulher, residentes em Votorantim (SP), que informaram manter contato frequente com ela, sem qualquer indício de desaparecimento ou situação de risco. Abordada pela Polícia Civil, ela negou os crimes, apresentou versões contraditórias e demonstrou resistência em informar seu endereço.
A investigação apontou que a relação entre a investigada e a cidadã portuguesa teve início em 2023, por meio de amizade virtual com base em vínculos religiosos. Ao longo do período, a brasileira passou a solicitar ajuda financeira, alegando dificuldades pessoais recorrentes.

Provas técnicas confirmaram a extorsão
A análise das provas encaminhadas pela vítima no exterior foi fundamental para o esclarecimento do caso. Fotografias enviadas pela investigada simulavam um ambiente de cativeiro, com o objetivo de sensibilizar as vítimas. As transferências financeiras, que ultrapassaram R$ 3.500,00, foram rastreadas e identificadas como depósitos feitos diretamente em contas de titularidade da própria investigada.
No cumprimento do mandado de busca e apreensão, realizado na residência localizada no bairro Nova Suíça, em Piracicaba, os policiais apreenderam aparelhos celulares utilizados no crime e um cobertor idêntico ao exibido nas imagens do falso cativeiro.
Confrontada com as evidências, a mulher confessou a prática da extorsão e foi presa em cumprimento de mandado de prisão temporária expedido pela Justiça. Ela responderá pelo crime de extorsão, previsto no artigo 158 do Código Penal, com pena que pode variar de quatro a dez anos de reclusão, além de multa.
A Polícia Civil reforça o alerta sobre crimes digitais que exploram relações de confiança e afetivas para obtenção de vantagens financeiras ilícitas.




