Pensa num treinador inteligente, de fala firme e que está cheio de vontade de trabalhar. Se a primeira impressão é a que fica, a Internacional estará em boas mãos no Campeonato Brasileiro da Série C.
Matheus Costa, de 39 anos, um dos bons técnicos da nova geração, foi apresentado oficialmente hoje à tarde no Limeirão. E fazia tempo que a sala de imprensa do Major Levy não ficava tão cheia.
Para começar, Costa rasgou elogios a Internacional. Disse que é um time que tem uma camisa pesada, tradição e que é um grande privilégio ter sido escolhido para essa função. Lembrou que a torcida não mede esforços para acompanhar o Leão, seja em qualquer parte do país.
Confirmou que por duas vezes negociou com o presidente Danilo Maluf, mas que em ambas já estava apalavrado com outro clube. “Nosso namoro é antigo. Agora deu certo”, sorriu. Foi logo após a saída de Júnior Rocha para o Guarani na Série D de 2014 e durante a Série D do ano passado, quando o time de Ademir Fesan perdeu para o Cascavel por 2 a 0, no Paraná.
O novo treinador também deixou bem claro que não participou da dispensa de nenhum dos 10 atletas, apesar de segurar a lista até sua chegada, no domingo.
“Eu queria ver a lista primeiro, mas não seria justo com os atletas opinar nesse momento. Eu não trabalhei com eles na Série A-2. Mas ouvi o presidente e o executivo Luciano Mancha sobre cada um deles. A decisão que foi tomada é para o bem do clube. Já os reforços que chegarão eu participarei ativamente”, contou.
Matheus disse que conhece todos os estádios que a Inter jogará no Campeonato Brasileiro, até por sua experiência de nove competições nacionais, sendo quatro na Série C e cinco na B.
“É a terceira vez que vou trabalhar no mercado de São Paulo, que sem dúvida alguma, é o mais valioso do país. Estou preparado para o meu 10º Brasileiro”, frisou.
Para o treinador, o fato de os jogos serem apenas nos finais de semana é um diferencial para melhorar o trabalho e o rendimento do time.
Numa comparação com a Série D, que a Inter subiu no ano passado, Matheus disse que o nível de jogadores da C é melhor, que os campos são relativamente mais estruturados e que a visibilidade é maior.
“Na Série D é muito combate. Saem muitos gols de bola parada. Poucas construções. Na C os jogos são melhores e mais técnicos. Faremos grandes viagens e às vezes poderemos pegar uma temperatura de 30 graus em um estado e ir para 10 no outro. Isso acontece. O bom de Limeira é que temos um aeroporto perto (Viracopos em Campinas) e quase não teremos conexões. Isso é uma vantagem considerável”, lembrou.

Costa terá três semanas de trabalho até a estreia contra o Floresta, no Limeirão. “É bom estrear em casa, mas teremos pela frente um adversário que vem de um bom momento. Quase subiu em 2025 para a B, manteve o time e foi eliminado pelo Ceará nas semifinais do Campeonato Cearense. Não será nada fácil esse primeiro jogo, pois será o duelo de um time de um ano de trabalho contra um de três semanas apenas. Nossa corrida é contra o tempo. Mas pode ter certeza que faremos o melhor em campo”, confidenciou.
O novo comandante deixou bem claro que sonha com o acesso. “Quando subi com o Paraná Clube para a Série A, disse na minha apresentação que brigaríamos pelo acesso, mesmo tendo a 15ª folha de pagamento da divisão. Me chamaram de louco e provei que não estava. Claro que tenho essa meta aqui também, até pela camisa pesada da Inter. Ninguém do mercado da bola aponta a Inter como favorita, pois o time não disputa esta divisão há muito tempo (22 anos) e vem de uma participação sofrível na Série A-2. É por isso que temos que acreditar em nós mesmos. O trabalho diário será importante. E é bom destacar que a Inter também não estará entre as 10 maiores folhas da C. Mas vamos no superar”, explicou.
Matheus dividirá a Série C em duas partes. “Temos primeiro que atingir a pontuação de permanência na divisão e depois brigar pelos pontos que podem nos colocar entre os oito primeiros. Por que não acreditar? Serão 19 jogos e o mais importante sempre será o próximo. Mas é claro, sempre com os pés no chão. Uma coisa eu garanto, o time será competitivo”, frisou.
Costa disse que sentiu uma aceitação muito boa por parte do elenco e da torcida e que isso será fundamental para o início de trabalho. “Tem tudo para dar certo. Todos querem vencer. O torcedor vai sentir a diferença, eu garanto”, reforçou.
A Inter tem três jogos-treinos agendados. Neste sábado, enfrentará a própria base. Depois, receberá o Velo Clube, no Limeirão e vai ao Canindé encarar a Portuguesa. Na semana de estreia não haverá nenhum teste. Costa disse que usará os sete dias finais para elaborar a parte estratégica do time.
Marcelo Cordeiro, auxiliar de Costa, disse que a intensidade vai mudar em relação a Série A-2 e que a nova Inter será vibrante.
“Vamos ter energia e vontade de vencer os jogos. Aceitei vir para a Inter porque meu trabalho bateu com o Matheus. Nos demos muito bem no Guarani. Quando ele chegou, estávamos para cair para a Série D e conseguimos uma reação fantástica, chegando ao quadrangular final. É um treinador diferente. Me entrosei com ele. O mais importante é que já detectamos os pontos que foram ruins na Série A-2. O torcedor pode acreditar na gente”, comentou.
Matheus Costa falou sobre a próxima braçadeira. “O meu capitão eu escolho por votação e não importa a posição. O elenco é que vai decidir. Sei que a Inter tem grandes líderes aqui (Saulo, Lucas Santos e Miguel Bianconi), mas vamos votar”, completou.
O novo treinador afirmou que o “jogador tem que acordar feliz no clube e não sentindo a obrigação de treinar”. “Quero um ambiente leve para trabalhar, com todos remando para o mesmo lugar. Outra coisa que gosto nos meus elencos é criar uma competitividade por posição. Isso transforma um elenco em vencedor. Aqui vai ter trabalho e muito, com dois períodos diários”, garantiu.
Para fechar, Matheus Costa disse que não está por dentro do assunto SAF e que seu foco estará apenas dentro de campo. “Fui contatado para comandar o time, apenas isso”, completou.




