Clima bastante tenso na reunião dos conselheiros da Internacional, terça-feira à noite no Carlton Plaza. Para começar, torcedores estiveram na frente do hotel com faixas de protesto: “SAF sim, safados não” e “Mercenários. Ladrões aqui não”.
Durante uma hora e meia, muito bate boca, socos na mesa e discussões acaloradas. O presidente Danilo Maluf esteve presente, assim como o intermediador Cássio Roque.
No final da reunião os conselheiros puderam votar. A primeira opção era para que o CEO Enrico Ambrogini, principal interessado na transformação da Internacional em SAF (Sociedade Anônima de Futebol) – adquirindo 50% do clube – pudesse apresentar sua proposta. E a segunda era para que a proposta não fosse levada adiante e que o assunto seria encerrado naquele momento.
Ganhou a primeira opção e com isso, Enrico Ambrogini finalmente poderá apresentar sua proposta na próxima segunda-feira, em reunião que será marcada pelo presidente Paulo César Scavariello, o Liminha. Os conselheiros poderão tirar todas as suas dúvidas em relação a SAF.
Logo em seguida, Enrico deixará a sala e os conselheiros votarão se a proposta seguirá para detalhamento. Seria o “acordo de cotistas”, ou seja, os sócios ficarão sabendo dos seus direitos e deveres. Nesse caso, serão colocadas cláusulas de garantia, no intuito de preservar a instituição.
Só do fato de Enrico poder expor os seus planos para os conselheiros já é considerada uma vitória para a ala que defende a SAF e o CEO.

Como seria
O plano que será apresentado por Enrico Ambrogini prevê uma alocação econômica global estimada de aproximadamente R$ 454 milhões ao longo de 10 anos, estruturada a partir de um projeto esportivo detalhado, com metas progressivas de desempenho, organização e consolidação.
Essa projeção considera não apenas investimentos diretos, mas toda a estrutura necessária para sustentar crescimento real no futebol profissional brasileiro, incluindo: fortalecimento do futebol profissional; investimentos contínuos em categorias de base; estrutura administrativa e técnica; infraestrutura esportiva; tecnologia, performance e governança e reinvestimento dos resultados da própria operação da SAF.
O planejamento esportivo estabelece como objetivo que a Inter de Limeira possa alcançar a Série A do Campeonato Brasileiro em até oito anos.
O modelo de governança na Inter seria idêntico ao do futebol alemão, reconhecido como um dos mais equilibrados e sustentáveis do mundo.
O projeto foi concebido como uma construção conjunta, na qual o investidor aporta capital e assume riscos. A Associação preserva protagonismo institucional. As decisões estratégicas são tomadas com equilíbrio e o crescimento do clube beneficia ambas as partes.
A Inter não perde identidade, nem se torna figurante de seu próprio futebol. Ela permanece como parte ativa do projeto.
Como etapa inicial dessa construção, o projeto prevê aportes de até R$ 20 milhões nos dois primeiros anos, distribuídos entre 2026 e 2027, compostos por: capital novo destinado ao fortalecimento do futebol e da estrutura; recursos imediatos para o tratamento do passivo e a assunção econômica das dívidas da Associação, estimadas em até R$ 8,5 milhões.
Esse movimento tem como objetivo permitir que a Inter inicie o projeto SAF financeiramente saneada, sem o peso que historicamente limita planejamento, investimento e competitividade.




