A persistência de chuvas abaixo da média histórica deve manter e agravar o cenário de seca em São Paulo ao longo do primeiro trimestre de 2026. A condição está associada à atuação do fenômeno climático La Niña, confirmado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), que dificulta o avanço de frentes frias e a chegada de umidade ao estado.
De acordo com dados de estações de medição da região metropolitana de São Paulo, praticamente todos os pontos registram volumes de chuva inferiores ao esperado para janeiro. A exceção é o Mirante de Santana, na zona norte da capital, que já superou a média mensal.
Segundo o Inmet, a presença de uma alta anômala ligada ao La Niña impede a formação de sistemas meteorológicos mais eficientes. “No primeiro trimestre teremos chuva abaixo da média em toda a região entre o sul da mesorregião de Bauru, Itapetininga e a região metropolitana”, afirmou o meteorologista Leydson Dantas.
São Paulo está em condição de seca severa ou extrema desde janeiro de 2024. Apenas a região norte do estado apresenta seca severa nos últimos 12 meses; as demais áreas são classificadas como de seca extrema pelo Inmet. O ano de 2025 já foi considerado seco, já que as chuvas de verão não foram suficientes para recompor a umidade do solo.
Há expectativa de melhora apenas a partir do segundo semestre de 2026, com o enfraquecimento do La Niña — cenário considerado 75% provável pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (Noaa), dos Estados Unidos.
Reservatórios operam em níveis críticos
Os impactos da escassez hídrica já são sentidos em curto prazo em todo o estado, segundo a Agência Nacional de Águas (ANA). Na região metropolitana, os reservatórios seguem em níveis críticos. O Sistema Integrado Metropolitano operava com cerca de 27,7% da capacidade, índice semelhante ao registrado em janeiro de 2016, após a crise hídrica de 2015.
O Sistema Cantareira, principal manancial da região, apresentava pouco mais de 19% do volume, com destaque para o reservatório Jaguari-Jacareí, responsável pela maior parte do sistema, que operava abaixo de 17%.
Medidas e alerta das autoridades
A Sabesp informou que tem adotado medidas como ampliação da captação, investimentos em modernização e ações para redução de perdas. Desde agosto de 2025, o abastecimento noturno vem sendo reduzido em algumas regiões.
Em nota, a companhia classificou o cenário como “historicamente desafiador”, destacando que a disponibilidade hídrica per capita na região metropolitana é comparável à de áreas semiáridas. A Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) afirmou que acompanha a situação de forma contínua e reforçou a importância do uso consciente da água.




