A interligação entre a represa Billings e o Sistema Alto Tietê começou a sair do papel e deve ampliar a segurança hídrica da Grande São Paulo a partir de 2027. A obra permitirá a transferência de até 4 mil litros de água por segundo para fortalecer o abastecimento da região metropolitana, que atende cerca de 22 milhões de pessoas.
A captação será feita no braço do Rio Pequeno, em São Bernardo do Campo, com bombeamento da água até a represa Taiaçupeba. O investimento previsto é de R$ 1,4 bilhão.
Com a nova estrutura, a Billings passa a ter papel estratégico no Sistema Integrado Metropolitano. A represa tem capacidade de armazenamento de 1,13 trilhão de litros, volume superior ao das cinco represas do Sistema Cantareira somadas, que juntas alcançam 982 bilhões de litros, segundo dados da Sabesp.
A Billings está próxima à Serra do Mar, região com maior índice de chuvas em comparação às áreas que abastecem o Cantareira. Além disso, o reservatório possui mais de 100 quilômetros de extensão em um único plano, o que amplia a capacidade de captação de águas pluviais.
Outro fator considerado estratégico é a proximidade com a capital paulista, o que reduz custos de energia e de obras para bombeamento em relação a mananciais mais distantes.
A Região Metropolitana de São Paulo apresenta disponibilidade hídrica considerada baixa, com cerca de 143 m³ por habitante ao ano, índice comparável ao de regiões semiáridas. Em 2025, a região registrou uma das estiagens mais severas da última década, com chuvas até 70% abaixo da média histórica.
As mudanças climáticas, com maior irregularidade nas chuvas e ondas de calor mais frequentes, ampliam a pressão sobre o sistema de abastecimento.
A interligação faz parte do Plano de Segurança Hídrica previsto no contrato da Sabesp, que estabelece investimento de R$ 70 bilhões até 2029 para ampliar e universalizar os serviços de água e esgoto no estado.
Em 2025, segundo o governo estadual, foram aplicados R$ 15,2 bilhões em obras de saneamento, o maior volume já registrado.




