A Justiça do Trabalho em Piracicaba condenou a Sendas Distribuidora S.A., responsável pelo Assaí Atacadista, ao pagamento de R$ 50 mil por danos morais coletivos. A sentença determina também que a companhia interrompa práticas relacionadas à restrição de acesso a banheiros, desvios de função, violência psicológica e irregularidades nas jornadas e folgas.
A decisão foi proferida em 28 de outubro pelo juiz Bruno Furtado Silveira, em uma ação civil pública apresentada em 2025 pelo Sindicato dos Empregados no Comércio de Piracicaba, o Sincomerciários. Cabe recurso.
Em posicionamento divulgado nesta sexta-feira (6), a empresa informou que recebeu a notificação judicial e iniciou uma apuração interna. Disse ainda que avalia as medidas cabíveis e está adotando providências jurídicas.
Funcionários relataram demora para usar o banheiro
Entre os elementos destacados na decisão estão relatos de 24 trabalhadores sobre a espera para deixar seus postos e utilizar o banheiro.
Uma funcionária afirmou que urinou na própria roupa enquanto trabalhava no caixa, após não conseguir sair a tempo. Outra relatou que deixou o posto depois de esperar aproximadamente uma hora e meia e que foi demitida por isso.
Na defesa apresentada durante o processo, a empresa negou impedir o acesso aos sanitários. Sustentou que o procedimento adotado servia para organizar a substituição dos funcionários.
Cobranças por metas e tarefas fora da função
Os relatos reunidos no processo também abordaram a distribuição de tarefas. Cerca de 25 trabalhadores disseram que precisavam executar atividades além das funções habituais, como recolher carrinhos no estacionamento, devolver mercadorias às prateleiras e limpar gôndolas.
Outros depoimentos apontaram problemas no relacionamento com as chefias. Vinte funcionários afirmaram ter sofrido ou presenciado situações de assédio, enquanto 29 relataram pressão para alcançar metas, com humilhações e xingamentos, inclusive diante de clientes.
Também foram mencionados favorecimento de determinados empregados, dificuldade para conversar com superiores e com o setor de recursos humanos, além de punições consideradas injustificadas pelos trabalhadores.
Mudanças nas escalas foram questionadas
As jornadas e os períodos de descanso também fizeram parte da ação. Segundo os relatos, havia mudanças de horário e descumprimento das escalas previstas.
O material apresentado no processo aponta que alterações repentinas e a redistribuição de tarefas eram justificadas pela gerência com base em afastamentos por atestados médicos e pedidos de demissão.
O que diz o Assaí
O Rápido no Ar entrou em contato e aguarda um posicionamento. O espaço está aberto.




