A GWM realizou nesta terça-feira (25) a primeira operação de transporte de carga na América Latina com um caminhão movido a célula a combustível de hidrogênio, segundo a montadora. Em sua estreia transportando carga no Brasil, o veículo puxou uma carreta cegonheira com carros e SUVs eletrificados da marca pelas ruas de São Paulo.
O trajeto começou no Laboratório de Hidrogênio do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), localizado na Cidade Universitária da USP, e terminou no Autódromo de Interlagos.
Na prática, foi a primeira demonstração do caminhão da GWM Hydrogen em uma operação de transporte de carga em condições reais no país.
Os veículos transportados serão utilizados no Festival Interlagos. Já o caminhão deverá ficar disponível nesta quarta-feira (26) para testes destinados à imprensa e convidados do evento.

Como funciona um caminhão movido a hidrogênio?
Apesar de ser abastecido com hidrogênio, o caminhão é elétrico. Diferentemente de um veículo elétrico convencional, porém, não depende exclusivamente da energia previamente armazenada em grandes baterias.
A célula a combustível combina o hidrogênio armazenado nos cilindros com o oxigênio do ar para produzir eletricidade a bordo. Essa eletricidade alimenta o motor elétrico.
Segundo a GWM, nesse processo, a emissão direta pelo escapamento é vapor d’água.
O modelo possui ainda uma bateria de 105 kWh e cilindros de fibra de carbono capazes de armazenar até 40 quilos de hidrogênio sob pressão de até 350 bar.
São 544 cv e até 500 km de autonomia
Os números do caminhão chamam a atenção. O conjunto elétrico desenvolve até 400 kW, equivalentes a 544 cv, e 2.700 Nm de torque.
Com os cilindros abastecidos, a autonomia informada pela fabricante pode chegar a 500 quilômetros.
Outro ponto destacado pela GWM é o tempo de abastecimento. Enquanto veículos elétricos a bateria podem exigir períodos maiores conectados a carregadores, o abastecimento dos cilindros de hidrogênio pode ser realizado em poucos minutos.
De acordo com a empresa, o sistema possibilita mais de dez horas de operação contínua.
O caminhão também recupera energia durante frenagens e desacelerações, característica especialmente útil em trajetos com descidas.
Gigante pode chegar a 49 toneladas
O caminhão possui Peso Bruto Total (PBT) de 49 toneladas e pesa 10,8 toneladas vazio.
Segundo a GWM, o peso é aproximadamente 500 quilos inferior à média dos concorrentes considerados pela empresa, permitindo aumentar a capacidade destinada à carga.
A montadora afirma ainda que, por não utilizar combustão para movimentar o veículo, não há emissão local de poluentes associados aos motores convencionais, como monóxido de carbono, óxidos de nitrogênio e material particulado.
Tecnologia começa a ser testada no Brasil
A chegada do veículo faz parte de uma parceria entre a GWM e o IPT para estudar a utilização do hidrogênio no transporte pesado brasileiro.
O Laboratório de Hidrogênio do instituto possui estações capazes de abastecer veículos leves e pesados. Para caminhões, há uma estrutura de abastecimento de 350 bar.
A parceria prevê avaliações relacionadas a desempenho, segurança e viabilidade da tecnologia no país, além de estudos envolvendo tanques de alta pressão e eficiência energética.
A GWM afirma que tecnologias semelhantes já são utilizadas em mais de 30 mil veículos na China. Agora, a empresa pretende avaliar como a solução pode ser adaptada às condições das estradas e das operações de transporte brasileiras.




