A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (12) a quarta fase da operação Coffee Break, que investiga um suposto esquema de fraude em licitações públicas na área da educação. Segundo os investigadores, o grupo manipulava contratos com prefeituras desde 2021, envolvendo empresários, servidores públicos, lobistas e operadores financeiros clandestinos. A investigação aponta que o esquema gerou contratos superfaturados e pagamento de propina a agentes públicos.
De acordo com a Polícia Federal, o empresário André Mariano, dono da empresa Life Tecnologia Educacional, seria responsável por iniciar as negociações com secretários de educação e servidores municipais. O objetivo era oferecer produtos educacionais como kits de robótica, livros paradidáticos e licenças de tecnologia.
Entre os investigados está o ex-secretário de Educação de Sumaré (SP), José Aparecido Ribeiro Marin, preso preventivamente nesta quinta-feira. A suspeita é de que ele atuava na articulação dos contratos e na liberação de pagamentos em troca de vantagens indevidas.
A defesa de Marin informou que ainda não teve acesso aos autos da investigação e afirmou que o ex-secretário cumpria medidas cautelares determinadas pela Justiça.
Licitações direcionadas e contratos superfaturados
Após o contato inicial com os gestores públicos, a investigação aponta que os editais das licitações eram elaborados com especificações técnicas que restringiam a concorrência. As exigências favoreciam diretamente produtos comercializados pela Life Tecnologia Educacional.
Com a empresa declarada vencedora, os contratos eram firmados com valores muito acima do preço real de mercado. Segundo a Polícia Federal, alguns itens chegaram a ser vendidos por até 35 vezes o custo de aquisição.
Os pagamentos eram realizados por prefeituras contratantes, gerando receitas milionárias para a empresa investigada.
Depois de receber os recursos públicos, parte do dinheiro era transferida para empresas de fachada controladas por operadores financeiros clandestinos, conhecidos como doleiros.
De acordo com a investigação, esses operadores utilizavam estratégias como pagamento fracionado de boletos e uso de empresas de “prateleira” — companhias já registradas, mas sem atividade real — para ocultar a origem do dinheiro.
Após o processo de lavagem, os valores eram convertidos em dinheiro em espécie e utilizados para pagar propina a servidores e intermediários do esquema. Segundo a PF, o empresário utilizava o termo “café” como código para se referir aos pagamentos ilícitos, o que inspirou o nome da operação Coffee Break.
Valores e novas medidas da operação
As investigações apontam que a empresa Life Tecnologia Educacional movimentou cerca de R$ 128 milhões por meio de mais de 305 transferências, sendo a maioria originada de pagamentos feitos por prefeituras.
Na fase da operação realizada nesta quinta-feira, a Justiça autorizou:
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10 mandados de busca e apreensão
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1 mandado de prisão preventiva
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1 medida de monitoramento com tornozeleira eletrônica
Também foram determinados o afastamento de servidores investigados e o bloqueio de bens.
As ações ocorreram nas cidades de Sumaré, Itu, Campinas, Jundiaí e Americana, no interior de São Paulo.
Segundo a Polícia Federal, os investigados podem responder por crimes como corrupção, fraude em licitações, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro. Somadas, as penas podem chegar a até 60 anos de prisão, dependendo da participação de cada envolvido.



