O Senado rejeitou nesta quarta-feira (29) a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF), marcando um revés político ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A decisão rompe uma tradição histórica de aprovação automática de indicados à Corte.
A indicação foi barrada por 42 votos contrários e 34 favoráveis, em votação secreta no plenário. Para ser aprovado, o indicado precisava de maioria absoluta. O resultado evidencia dificuldades de articulação do governo junto ao Senado, especialmente em temas sensíveis como nomeações ao STF.
Nos bastidores, a escolha de Messias gerou desconforto entre lideranças políticas. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, defendia outro nome para a vaga e não se comprometeu publicamente com o apoio ao indicado. A falta de alinhamento prévio contribuiu para a derrota.
A rejeição de um indicado ao STF é um fato raro na história republicana. Antes deste episódio, apenas cinco nomes haviam sido barrados, todos ainda no século XIX, em 1894. O caso reacende o debate sobre a relação entre Executivo e Legislativo na escolha de ministros da Suprema Corte.

