Por essa nem o mais otimista esperava. Depois de perder o jogo de ida por 2 a 0, em São José do Rio Preto e ainda sair atrás do placar no Pradão, o Independente conseguiu uma virada histórica para cima do América. Os 4 a 1 deram o título do Campeonato Paulista da Segunda Divisão ao Galo, que não gritava campeão há exatos 15 anos, quando venceu o Capivariano por 2 a 0, também pela Bezinha.
O técnico Tiago Miguel apostou na entrada de Kayo na zaga no lugar de Jacone. Também colocou Bocão na ala-direita e deixou Fábio Souza para jogar ao lado de Isaac Newtton no ataque, sacando Dandan.
Com uma boa vantagem adquirida no jogo de ida, o América jogou tranquilo, valorizando a posse de bola e gastando o tempo. O time de Rio Preto ainda contava com o retorno do bom volante João Gregório.
O América assustou primeiro. Logo aos 3 minutos, Édipo deixou Léozinho na cara do gol, mas Jonathan, em grande fase, salvou. A resposta galista veio na finalização de fora da área de Hiago Ramiro, defendida por Maranhão.
Hiago Ramiro continuava insistindo e no chute forte de fora da área aos 11, Maranhão se esticou todo para desviar para escanteio. Três minutos depois, novo arremate do camisa 10, que vivia um jejum de sete jogos sem marcar.
Quando o Independente estava muito próximo de abrir o placar, o América foi letal. Hiago Ramiro foi desarmado por Léozinho no meio de campo e a bola chegou até o artilheiro Édipo. O camisa 19 bateu por baixo de Jonathan. A bola entrou mansamente no gol: 1 a 0. Um silêncio no Pradão.
E olha que o time de São José do Rio Preto só não ampliou aos 18, porque Iury salvou. O meia Léozinho chegou a chapelar o goleiro Jonathan na área, mas encontrou o bem posicionado defensor pela frente.
Aos poucos o Independente foi melhorando novamente no jogo. Aos 28, na cobrança de escanteio de Hiago Ramiro pela direita, Bruno Calegari escorou para o gol e o lateral João Ataíde salvou em cima da linha.
Aos 32, o Independente reclamou de um pênalti não marcado em Bocão. O árbitro João Vitor Gobbi marcou falta fora da área. Na cobrança de Hiago Ramiro, um desvio na defesa visitante quase entrou no ângulo.
O Independente não desistia do jogo e aos 32, Léo Alves experimentou de fora da área, mandando por cima. Até que aos 43, João Vitor Gobbi “compensou” o pênalti não marcado anteriormente e só ele enxergou o toque em Bocão na área. Na cobrança Hiago Ramiro, que marcou seu 12º gol na temporada, se isolando na artilharia da competição. Uma batida forte e no alto.
Faltavam mais três gols para o título. Aos 48, escanteio pela direita e na cobrança Hiago Ramiro. A bola veio na segunda trave para a cabeçada certeira do zagueiro Iury: 2 a 1. O torcedor passou acreditar.
O Independente fez, sem dúvida alguma, seu melhor jogo no ano. Encurralou o América no segundo tempo. Mas é bom salientar a bola na trave do volante João Gregório no começo da etapa complementar.
Aos 14, Hiago Ramiro fez uma linda jogada individual, se livrando de dois marcadores pela meia-esquerda, mas pegando mal na bola, que saiu torta para o gol.
Aos 18, o português Tiago Miguel tirou um “coelho da cartola”, ou melhor, dois. Os laterais Filipe Ferreira e Breno entraram nos lugares de Bocão e Fábio Souza. Parece que o “Portugênio” estava adivinhando.
Aos 21, um novo susto nos torcedores galistas. Falta cobrada por Léozinho pela direita e cabeçada do zagueiro Pedro Weide, que foi sobre o gol, rente ao travessão.
Aos 29, o Independente perdeu Hiago Ramiro com uma lesão muscular. Era o fim da reação? De jeito nenhum. O novato Rafinha, destaque do Sub-20, entrou com personalidade em seu lugar.
O Galo continuava em cima. Sabia se marcasse o terceiro gol garantiria pelo menos a disputa nas penalidades máximas.
O Mister foi pra cima, abrindo mão do 3-5-2, com a saída do zagueiro Kaio para a entrada do atacante Dandan. Outro acerto do “Portugênio”.
Aos 35, Filipe Ferreira arriscou de fora da área e Maranhão se esticou todo para defender. No rebote, Isaac Newtton mandou na rede pelo lado de fora.
A torcida galista não parava um minuto sequer. Aos 37, Filipe Ferreira cruzou da direita e Breno cabeceou com extremo perigo, rente a trave direita do América. Tiago Miguel colocou o limeirense Pietro no ataque no lugar do volante Léo Alves.
O merecido terceiro gol saiu aos 40 minutos. Isaac Newtton serviu Dandan na direita. O atacante cruzou de três dedos para Pietro, mas a bola caiu com Filipe Ferreira, que chapelou o capitão Zé Luiz na área, matou no peito e executou, no cantinho: 3 a 1. Um golaço. Merecia uma placa. Que festa em Vila Esteves. Na Ulisses TV só se ouvia: “lindo, lindo, lindo, lindo”.
O Pradão virou um alçapão e o América estava atordoado. Parecia um boxeador acuado nas cordas, esperando o gongo soar. Aos 46 minutos não teve jeito. Kenzo recebeu livre na meia-esquerda e levantou para a área. Dandan ajeitou de cabeça e Isaac Newtton entrou com bola e tudo: 4 a 1. Era o gol do título. Gol do 12º jogador do Independente em toda competição.
Quando Hiago Ramiro levantou o troféu de campeão e a chuva de papel pícado foi preta e branca, parecia um sonho. Um capítulo que jamais o torcedor galista se esquecerá.
Independente 4 x 1 América
Gols – Édipo aos 17 minutos do 1º tempo (AM); Hiago Ramiro, de pênalti, aos 44 e Iury aos 46 minutos do 1º tempo; Filipe Ferreira aos 40 e Isaac Newtton aos 46 minutos do 2º tempo (IND)
Local – Pradão
Árbitro – João Vitor Gobbi
Público – 2.414 pagantes
Renda – R$ 12.315,00
Independente – Jonathan; Kayo (Dandan), Bruno Calegari e Iury; Bocão (Filipe Ferreira), Léo Alves (Pietro), Kenzo, Hiago Ramiro (Rafinha) e Pedrinho; Fábio Souza (Breno) e Isaac Newtton. Técnico – Tiago Miguel.
América – Maranhão; João Ataídes, Pedro Weide, Zé Luís e Biro; Chico, João Gregório (Diguinho), Alex (Shinji) e Léozinho; Édipo (Allan) e Ayslan (Gabriel Vitor). Técnico – Kinho Forgiarini.

