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Taxa Selic cai para 14,75% após quase dois anos e BC sinaliza cautela com cenário externo

Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil

O Banco Central reduziu a taxa básica de juros pela primeira vez em quase dois anos, ao cortar a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano. A decisão, unânime e já esperada pelo mercado, ocorre em meio a incertezas provocadas pelo conflito no Oriente Médio.

O Comitê de Política Monetária (Copom) destacou, em comunicado, que o ambiente internacional mais incerto exige prudência na condução da política monetária. A autoridade monetária não descartou a possibilidade de interromper ou rever o ciclo de cortes, caso o cenário inflacionário se deteriore.

A Selic estava em 15% ao ano desde junho do ano passado. O último corte havia ocorrido em maio de 2024. Desde então, a taxa passou por um ciclo de alta até atingir o patamar atual, refletindo preocupações com a inflação.

A taxa básica de juros é o principal instrumento para controlar a inflação, medida pelo IPCA. Em fevereiro, o índice registrou alta de 0,7%, acumulando 3,81% em 12 meses — abaixo de 4% pela primeira vez desde maio de 2024.

Com o novo regime de meta contínua, a inflação passa a ser acompanhada mês a mês, considerando sempre o acumulado em 12 meses. A meta estabelecida é de 3%, com intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%.

As projeções do Banco Central indicam inflação de 3,5% em 2026, mas esse número pode ser revisto. Já o mercado financeiro estima índice de 4,1%, pressionado principalmente por fatores externos, como o câmbio e o cenário geopolítico.

A redução da Selic tende a baratear o crédito e estimular o consumo e os investimentos. Por outro lado, juros mais baixos podem dificultar o controle inflacionário, o que exige equilíbrio nas decisões do Banco Central.

A expectativa oficial para o crescimento econômico em 2026 é de 1,6%, segundo o BC. O mercado projeta expansão um pouco maior, de 1,83%, conforme o boletim Focus.

A Selic também serve como referência para outras taxas de juros da economia e influencia diretamente o custo de financiamentos, empréstimos e aplicações financeiras.

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