Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário” ou “Mexerica”, morreu nesta quarta-feira (4) após ser preso durante a Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, em Belo Horizonte. Segundo a corporação, ele atentou contra a própria vida enquanto estava na carceragem da Superintendência da PF e chegou a ser levado a um hospital, mas não resistiu.
Mourão era apontado pela Polícia Federal como um dos principais integrantes de uma estrutura paralela que atuaria para monitorar e planejar ações contra adversários do banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master. A investigação indica que ele comandava uma organização informal chamada “A Turma”, responsável por atividades de vigilância, coleta de informações e monitoramento de pessoas consideradas críticas ao grupo investigado.
De acordo com os investigadores, Mourão receberia cerca de R$ 1 milhão por mês para prestar esses serviços considerados ilícitos. A defesa informou que aguarda acesso aos autos do inquérito para se manifestar oficialmente sobre as acusações.
Acessos a sistemas restritos e monitoramento
A Polícia Federal afirma que Mourão utilizava credenciais de terceiros para acessar sistemas restritos de órgãos públicos. Entre as bases consultadas estariam sistemas da própria PF, do Ministério Público Federal e até bancos de dados internacionais.
Os investigadores apontam que essas consultas seriam usadas para obter informações sensíveis sobre pessoas e investigações relacionadas ao grupo.
Decisão do STF cita plano contra jornalista
Na decisão que autorizou as prisões, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que há indícios de que Daniel Vorcaro teria solicitado a Mourão a simulação de um assalto ou situação semelhante com o objetivo de prejudicar o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo.
Segundo o ministro, a intenção seria criar um cenário que intimidasse o jornalista e silenciasse críticas publicadas na imprensa. O jornal repudiou qualquer iniciativa criminosa contra o colunista.
Histórico de investigações
Desde 2021, Mourão também era réu em uma ação do Ministério Público de Minas Gerais que investiga crimes como lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra a economia popular.
Segundo o processo, ele teria participado de um esquema de pirâmide financeira que atraiu investidores em várias regiões do país. Entre junho de 2018 e julho de 2021, as investigações apontam movimentação de cerca de R$ 28 milhões em contas ligadas a empresas associadas ao suspeito.
A defesa sustenta que parte das provas utilizadas pelas autoridades teria sido obtida sem autorização judicial e questiona a legalidade de procedimentos realizados durante as investigações.

