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URGENTE: Dólar dispara e Bolsa brasileira desaba e aciona circuit breaker após vitória de Lula nas eleições

O mercado financeiro brasileiro enfrenta uma manhã de forte turbulência nesta segunda-feira (26), primeiro dia útil após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A Bolsa de Valores brasileira, a B3, registra uma onda de vendas e, segundo a informação de acionamento do circuit breaker, teve as negociações temporariamente interrompidas diante da forte desvalorização das ações. Ao mesmo tempo, o dólar disparou frente ao real, refletindo a reação negativa de investidores ao resultado das eleições presidenciais.

A instabilidade ocorre menos de 24 horas depois da vitória de Lula sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL), no segundo turno realizado neste domingo (25). O presidente foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do adversário, em um resultado que contrariou as expectativas de parte significativa dos agentes do mercado financeiro.

O movimento de queda já vinha sendo antecipado desde a noite de domingo, quando ativos brasileiros negociados no exterior registraram fortes perdas. O fundo EWZ, que reúne ações de empresas brasileiras negociadas no mercado norte-americano, chegou a apresentar desvalorização superior a 25% no pré-mercado desta segunda-feira.

Dólar dispara e supera R$ 5,60

A moeda norte-americana também apresentou uma valorização expressiva. Depois de encerrar a sexta-feira (23) cotada a aproximadamente R$ 4,99, o dólar abriu a segunda-feira em forte alta, ultrapassando R$ 5,40 nos primeiros negócios.

Por volta das 9h40, a cotação comercial chegou a R$ 5,6048, uma valorização de 12,25%, segundo informações divulgadas pelo mercado financeiro. No mesmo período, o Ibovespa futuro registrava queda de 14,84%.

O avanço do dólar reflete uma busca por proteção diante do aumento das incertezas econômicas. Em momentos de forte instabilidade, investidores tendem a reduzir posições em ativos considerados mais arriscados, o que pode intensificar a pressão sobre a moeda brasileira.

A valorização da moeda americana também preocupa pelos possíveis reflexos sobre a economia. Caso permaneça elevada, pode encarecer produtos importados, combustíveis, equipamentos, matérias-primas e outros itens que dependem de negociações internacionais.

O que é o circuit breaker e por que a Bolsa interrompe as negociações?

O circuit breaker é um mecanismo de proteção utilizado pela B3 para interromper temporariamente as negociações durante momentos de queda extremamente acentuada.

A medida busca reduzir a volatilidade e permitir que investidores reavaliem suas decisões antes da retomada das operações.

Pelas regras da Bolsa brasileira, a primeira interrupção acontece quando o Ibovespa registra desvalorização de 10% em relação ao fechamento anterior. Nesse caso, as negociações ficam suspensas por 30 minutos.

Se, após a retomada, a queda alcançar 15%, ocorre uma segunda paralisação, desta vez de uma hora. Caso as perdas atinjam 20%, a B3 poderá determinar uma nova suspensão, com duração definida pela própria instituição.

A última sequência de acionamentos do mecanismo havia ocorrido em março de 2020, durante o início da pandemia de Covid-19, quando os mercados mundiais enfrentaram uma onda de pânico e incerteza econômica.

Por que a vitória de Lula provocou uma reação tão negativa?

A forte turbulência está relacionada, principalmente, à diferença entre o resultado eleitoral e as expectativas que vinham sendo incorporadas aos preços dos ativos financeiros.

Nas últimas semanas, parte significativa dos investidores apostava na vitória de Flávio Bolsonaro, diante da expectativa de uma mudança na condução da política econômica e de medidas mais rigorosas para o controle dos gastos públicos.

Essa perspectiva havia impulsionado a Bolsa brasileira, que ultrapassou a marca dos 200 mil pontos, enquanto o dólar registrou desvalorização.

Com a confirmação da reeleição de Lula, investidores passaram a rever suas posições, provocando uma intensa pressão vendedora.

Entre as principais preocupações apontadas por analistas estão a trajetória da dívida pública, o equilíbrio das contas do governo, a condução da política fiscal e a possibilidade de manutenção de juros elevados por mais tempo.

O resultado eleitoral também surpreendeu parte do mercado, que vinha considerando uma vitória da oposição como cenário mais provável.

Grandes empresas brasileiras sofrem pressão
A instabilidade atingiu também empresas brasileiras negociadas nas bolsas norte-americanas.

No pré-mercado dos Estados Unidos, ações e recibos de grandes companhias registraram quedas expressivas. Entre os papéis mais pressionados estavam os de instituições financeiras, como Itaú e Bradesco, além da Petrobras.

A intensidade dessas perdas demonstra o tamanho da revisão das expectativas dos investidores em relação à economia brasileira.

A queda das ações, entretanto, não representa necessariamente prejuízos realizados por todos os investidores, uma vez que as oscilações podem ser revertidas parcial ou integralmente ao longo das próximas sessões.

Impactos podem chegar ao bolso dos brasileiros

Embora a turbulência esteja concentrada inicialmente no mercado financeiro, seus efeitos podem alcançar a economia real.

Uma valorização prolongada do dólar tende a pressionar preços de produtos importados e de insumos utilizados pela indústria brasileira.

Além disso, a elevação dos juros futuros pode encarecer o financiamento de empresas, investimentos produtivos e operações de crédito.

Por outro lado, empresas exportadoras podem se beneficiar de um dólar mais elevado, dependendo de seus custos, contratos e exposição à moeda norte-americana.

O comportamento dos mercados nos próximos dias será acompanhado de perto por investidores, empresários e economistas, especialmente diante das expectativas sobre a composição da equipe econômica e as medidas que serão adotadas no novo mandato presidencial.

A segunda-feira começa, portanto, marcada por uma das reações mais intensas do mercado financeiro brasileiro a um resultado eleitoral, com forte desvalorização de ativos, disparada do dólar e preocupação crescente com os rumos da economia nacional.

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