Três homens que, em fevereiro de 2021, durante fuga da polícia de Charqueada (SP), mataram o condutor de um Ford Fiesta que voltava do trabalho, foram condenados nesta quinta-feira (5) -, em julgamento realizado no Fórum de Piracicaba (SP) -, a pouco mais de 17 anos (dois deles) e a 21 anos de reclusão o terceiro envolvido o todos pelo crime de homicídio.
No dia do crime, os três fugiam com dinheiro que roubaram de uma advogada, quando ela chegava em casa, momento em que, pela alta velocidade do carro que eles ocupavam, um HB20, houve colisão com o carro da vítima, que chegou ser levada ao hospital mas não resistiu.
Segundo o promotor de Justiça Alexandre de Andrade Pereira, quem pegou 21 anos de reclusão foi o indivíduo que dirigia o carro.
Para o Ministério Público, embora apenas um dos réus estivesse na condução do automóvel, os demais passageiros deram suporte moral e tático à evasão, instigando a manutenção da alta velocidade para evitar a abordagem policial.
Essa estratégia visou a demonstrar que o desprezo pela vida humana era um elemento comum à conduta do grupo naquele contexto. O Conselho de Sentença acolheu integralmente as qualificadoras propostas pela acusação: o emprego de meio que resultou em perigo comum — devido ao tráfego perigoso em via de grande fluxo — e a finalidade de assegurar a impunidade de outro crime.
Na dosimetria da pena, o juízo considerou a culpabilidade acentuada dos agentes e as graves consequências para a família da vítima.
Com a condenação, o Poder Judiciário ratificou o entendimento ministerial de que crimes dolosos contra a vida, mesmo quando praticados no contexto de trânsito sob fuga policial, exigem uma resposta estatal enérgica para coibir a reiteração de condutas similares e a instabilidade social.
De acordo com Alexandre de Andrade Pereira, os três, que já estavam presos, vão cumprir a sentença no regime fechado.

