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Sem liberação de home care, mães dizem ser obrigadas a ficar com filhos internados no Hapvida em Limeira

Foto: Divulgação/Bianca Thailia

No dia 24 do mês passado, o filho de Bianca Thailia – ele tem 01 ano e oito meses -, e ela reside em Limeira (SP), foi submetido a uma cirurgia, pelo plano Hapvida, para retirar a sonda nasogástrica, que estava causando vários danos a ele, e colocar uma sonda GTT (de gastrostomia), diretamente na região abdominal.

A criança foi internada dois dias antes do procedimento, que foi de grande porte, realizado em Americana (SP). Segundo a mãe, a alta médica estava programada para o dia 25 ou 26. No entanto, no último sábado (2/5), o menino foi transferido para a unidade do Hapvida em Limeira, onde permanece internado.

De acordo com Bianca, a permanência no hospital ocorre porque o plano não estaria liberando o atendimento de home care, mesmo com a necessidade de suporte contínuo, já que o filho utiliza ventilação mecânica.

“Meu filho tem traqueostomia, está com um corte grande na barriga, somos nós que fazemos curativo, e ele fica esta exposto a bactérias. Mesmo assim, não querem fornecer o suporte domiciliar”, relatou.

Ela afirma ainda que recebeu a informação que, por redução de custos, pacientes estariam permanecendo internados por mais tempo, sem a liberação do atendimento domiciliar.

“Aqui no quarto, há outra criança cuja família aguarda há dois meses o mesmo tipo de suporte. Meu filho tem direito, ainda mais por depender de ventilação mecânica”.

Bianca contou à reportagem do Rápido No Ar que, nesta terça-feira (5), pediu uma posição formal à equipe médica sobre a negativa do home care, mas recebeu como resposta que a liberação não deve ocorrer de imediato.

“Já abri reclamação na Agência Nacional de Saúde e no Procon, mas ainda não obtive retorno. É desumano manter uma criança internada, exposta a riscos de infecção, por causa de custos”, desabafou.

A mãe também relatou as dificuldades enfrentadas durante a internação. Segundo ela, permanece 24h com o filho, enquanto a outra filha está sob cuidados de amigos.

“Tive que me afastar do trabalho, porque não tinha ninguém para ficar com ele. Meu marido vem quando pode, fora do horário de trabalho, para que eu consiga tomar um banho”, afirmou.

Dois meses de internação

No mesmo quarto, outra criança também aguarda liberação para atendimento domiciliar. Segundo familiares, a menina, que hoje tem 2 anos, já está internada há cerca de dois meses pela mesma situação.

De acordo com um familiar, a criança nasceu prematura extrema, com 25 semanas de gestação, e permaneceu internada por aproximadamente um ano após o nascimento. Após esse período, recebeu indicação de home care, devido à necessidade de cuidados contínuos, como traqueostomia, alimentação por gastrostomia (GTT) e uso de oxigênio.

Em março, ela apresentou um quadro de pneumonia e precisou ser internada novamente. “Fomos para Araraquara no dia 1º de março, onde iniciou o tratamento com antibióticos. No dia 5, a médica informou que, por se tratar de um quadro viral pulmonar, poderíamos retornar para casa, já que contávamos com home care”, explicou.

A família relata que retornou a Limeira no dia 6 de março e, desde então, a criança está clinicamente apta para alta, mas segue internada por falta de liberação do suporte domiciliar.

“O equipamento de oxigênio para uso em casa é fornecido pelo home care, o que impede o retorno sem essa autorização”, afirmou o familiar.

Segundo ele, a situação tem impactado diretamente no desenvolvimento da criança, que deixou de realizar procedimentos importantes e teve a rotina limitada ao ambiente hospitalar.

“Ela fica restrita ao leito ou ao sofá do quarto, por conta do risco de infecções. Estava começando a andar e teve esse processo interrompido”, disse.

A reportagem do Rápido no Ar entrou em contato com a assessoria de imprensa do Hapvida e aguarda um posicionamento a respeito dos casos.

Nota à imprensa

“Os casos citados, estão sendo acompanhado com toda a atenção pelas equipes assistenciais e pelo hospital responsável pelo atendimento.

As crianças encontram-se em processo de alta hospitalar, com encaminhamento para o Programa de Gerenciamento de Cuidados (PGC), que organizará toda a estrutura necessária para a continuidade da assistência em domicílio, conforme indicação da equipe médica responsável.

O atendimento domiciliar segue critérios clínicos e assistenciais definidos pelos profissionais de saúde e será implantado de acordo com o plano terapêutico indicado para a paciente, garantindo a continuidade do cuidado com segurança.

Reafirma-se o compromisso com a qualidade da assistência prestada e com o cuidado aos beneficiários. Eventuais esclarecimentos relacionados ao processo judicial serão prestados nos autos. A operadora permanece à disposição da família para acolhimento e orientações.”

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