A combinação entre bebida alcoólica e direção foi, pelo segundo ano consecutivo, o principal fator de risco para mortes no trânsito em Campinas. Dados divulgados pela Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) apontam que, em 2025, 35% dos sinistros fatais analisados envolveram consumo de álcool.
Em 2025, Campinas registrou 76 mortes no trânsito. Destas, 43 tiveram as causas analisadas pelo Comitê Intersetorial do Programa Vida no Trânsito, sendo que 15 casos — o equivalente a 35% — apresentaram envolvimento de álcool.
O cenário repete o registrado no ano anterior. Em 2024, das 156 mortes contabilizadas, 134 ocorrências foram analisadas e, em 51 delas (38,1%), houve confirmação de consumo de bebida alcoólica.
De acordo com a Emdec, não existe nível seguro de ingestão de álcool para quem pretende dirigir. Mesmo pequenas quantidades podem comprometer reflexos, atenção e capacidade de reação.
Mais de 270 mortes em cinco anos
Entre 2020 e julho de 2025, o município contabilizou 274 mortes relacionadas à embriaguez ao volante. Do total, 145 ocorreram em rodovias (53%) e 129 em vias urbanas (47%).
A identificação da conduta ocorre por meio de exames de alcoolemia realizados pelo Instituto Médico Legal (IML), testes de etilômetro ou relatos de profissionais de saúde.
No final de 2025, a Prefeitura e a Emdec lançaram a campanha “Não deixe uma tragédia cair na sua conta. Pode custar caro. Se beber, não dirija”, com foco na conscientização e na redução de mortes e lesões graves.
Fiscalização e orientações para o Carnaval
Desde novembro de 2025, a “Operação pela Vida”, realizada em parceria entre Emdec e Guarda Municipal, já promoveu sete blitze específicas para identificar alcoolemia. Até janeiro, mais de 2,2 mil testes com bafômetros foram aplicados, resultando em mais de 90 autuações — 88 por recusa ao teste e três por direção sob influência de álcool.
Somente em janeiro, foram registradas 124 infrações por recusa ao teste em operações integradas com a Polícia Militar.
A infração por dirigir sob efeito de álcool — ou recusar o teste — é considerada gravíssima, com multa de R$ 2.934,70 (multiplicada por 10), além de suspensão da CNH por 12 meses. Caso o teor alcoólico seja igual ou superior a 0,34 mg/L, o condutor pode responder por crime de trânsito, com pena de detenção de seis meses a três anos.
Para o período de Carnaval, a Emdec orienta que foliões utilizem transporte público, aplicativos de mobilidade, carona compartilhada ou adotem o revezamento de motoristas da rodada.
Entre os principais efeitos do álcool na direção estão a redução da atenção e da capacidade de raciocínio, reflexos mais lentos, dificuldade de coordenação motora e comprometimento da visão e da audição.

