São Paulo responde por 80% da produção brasileira de laranja, segundo o Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus). A liderança tem relação com décadas de pesquisa e desenvolvimento de variedades, numa trajetória que inclui a criação da Estação Experimental de Limeira, em 1928.
A unidade deu origem ao atual Centro de Citricultura Sylvio Moreira, do Instituto Agronômico (IAC-APTA), vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado. O centro mantém pesquisas voltadas à produtividade, à qualidade dos frutos e à proteção dos pomares.
Segundo o Instituto de Economia Agrícola (IEA), a laranja destinada à indústria alcançou R$ 13,1 bilhões em Valor da Produção Agropecuária em São Paulo em 2025. A fruta comercializada para consumo fresco somou outros R$ 3,8 bilhões.
Pesquisa ajudou a transformar os pomares
Introduzidas no Brasil pelos portugueses no século XVI, as frutas cítricas encontraram espaço na agricultura paulista. No início do século XX, o incentivo aos plantios, a adoção de mudas enxertadas e a assistência técnica ajudaram a estruturar a atividade.
Para o diretor do Centro de Citricultura, Dirceu Mattos Jr., a criação da estação experimental foi um dos marcos desse desenvolvimento. Em 1993, a unidade passou a ser o Centro de Citricultura do IAC.
De acordo com os dados divulgados pela Secretaria de Agricultura, 90% das variedades cultivadas nos pomares paulistas têm ligação com o trabalho do instituto ou com a manutenção de matrizes genéticas realizada pela instituição.
Variedades atendem à mesa e à indústria
O Centro de Citricultura registra 54 variedades comerciais de laranja, com diferenças de sabor, época de maturação e utilização.
A Pera representa aproximadamente 30% da produção de laranjas doces e pode ser destinada tanto ao consumo fresco quanto à fabricação de sucos. Natal, Valência e Folha Murcha também estão entre as variedades produzidas no estado.
A presença da fruta no mercado externo aparece nos resultados do agronegócio paulista. Entre janeiro e setembro de 2026, as exportações do grupo de sucos movimentaram US$ 1,42 bilhão. O suco de laranja respondeu por 96% desse valor.
Segundo Dirceu, a produtividade da citricultura aumentou duas vezes e meia em cerca de três décadas, apesar das dificuldades relacionadas a doenças, clima e condições econômicas.
A laranja brasileira que ficou conhecida pelo “umbigo”
Uma das histórias curiosas envolve a laranja Baía, originada de uma mutação espontânea identificada na Bahia no século XIX.
A variedade foi levada a países como Estados Unidos e Austrália. No mercado norte-americano, ficou conhecida como Washington Navel e ganhou espaço na produção de frutas frescas da Califórnia.
A palavra inglesa “navel” significa umbigo e faz referência à característica visível no fruto.
Já os kumquats, popularmente chamados de laranjas-anãs, são outros cítricos. Pequenos, podem ser consumidos com a casca e utilizados em doces, compotas e geleias.
Novas variedades e combate às doenças
Nos últimos três anos, o Centro de Citricultura lançou e disponibilizou 24 novas variedades de citros. As pesquisas abrangem melhoramento genético, nutrição, biotecnologia, manejo e sanidade vegetal.
A unidade também mantém o Banco de Germoplasma de Citros do IAC, que conserva materiais genéticos utilizados no desenvolvimento de novas variedades.
Entre os principais desafios do setor está o greening, doença associada a bactérias e transmitida pelo psilídeo. A Defesa Agropecuária estadual monitora os pomares e fiscaliza as medidas de prevenção e controle, além das condições sanitárias e da origem genética das mudas utilizadas pelos produtores.

