Resiliência. Não existe uma outra palavra que resuma a carreira de Emerson Jr. Depois de ficar no banco de reservas no Internacional/RS, Atlético/GO e Guarani, finalmente o camisa 1 conseguiu ter uma sequência como titular. Fazia cinco anos que o arqueiro não jogava uma partida oficial. A última tinha sido em 2021 pelo Figueirense.
Em entrevista ao Pimba nos Esportes, Emerson Jr, de 26 anos, revelou os bastidores da troca no gol leonino durante esta Série C do Campeonato Brasileiro. Após falhar nas partidas contra Floresta e Santa Cruz, ambas em casa, o técnico Matheus Costa decidiu barrar o capitão Saulo e promoveu o reserva como titular.
Emerson Jr disse que a semana de sua estreia foi boa e produtiva. Que o fato de ter sido avisado antecipadamente foi importante e que, por conhecer o elenco e que pelo bom desempenho da Inter como visitante, a pressão foi menor do que esperava na partida diante do Botafogo, na Paraíba.
“Eu estava pronto. Sabia que uma hora ou outra uma oportunidade apareceria. Achei que seria até contra o Juventus na última rodada do Paulista da Série A-2, quando não valia mais nada para nós. Mas o Saulo atuou normalmente. Agora é dar sequência. Temos um bom ambiente no clube, acredito que um dos melhores com que já trabalhei. Tive muito apoio do próprio Saulo e dos companheiros. Ele mesmo me disse que na sua carreira já tinha passado por isso, ou seja, herdar a vaga do titular. Mesmo fechadão, como sempre foi, ele tem sido importante para mim. Tem me aconselhado sempre”, ressaltou.
Emerson Jr disse que a primeira defesa que fez na Paraíba foi a mais importante. Foi no começo do jogo e a bola raspou a trave.
“Conheço o Tóta, do Botafogo, e sei que ele tem um chute forte. Consegui evitar. Não foi fácil. Ela veio forte e o gramado estava molhado. Todo goleiro quando estreia pensa em ir bem e, de preferência não sofrer gols. Após esse lance minha confiança aumentou ainda mais. Pensei comigo, ufa, passei desse primeiro teste. Pude fazer outras defesas importantes na partida e ainda contei com a sorte em uma bola na trave. Também agradeci o Gabriel Dias e o Lucas Santos por salvarem duas bolas em cima da linha. Voltei aliviado de lá”, sorriu.
No segundo jogo como titular, o arqueiro também não foi vazado, que foi o empate sem gols diante do Itabaiana, no Limeirão. Já contra o Ypiranga, domingo passado, sofreu seu primeiro gol, mas não teve nenhuma culpa. Foi um chute no ângulo de Estevão. O goleiro ainda evitou o segundo do time de Erechim com uma linda defesa no segundo tempo.
Emerson Jr nasceu em Estância Velha, no Rio Grande do Sul. Virou goleiro por inspiração do pai, que só não seguiu a carreira por conta da altura. Ficou apenas na várzea.
“Meu pai tinha 1m78 e agora eu tenho 1m95. Brincava no gol nos intervalos dos jogos do meu pai. Eu puxei mais minha mãe, que tem 1m81”, contou. O titular leonino tem duas irmãs e agora será titio, uma vez que a Vitória será mamãe pela primeira vez.
O goleiro começou no Novo Hamburgo e por uma indicação, fez um teste no Colorado aos 11 anos, sendo aprovado.
Emerson Jr passou por todas as categorias de base até ser campeão da Copa São Paulo de Juniores de 2020 em cima do rival Grêmio. Após empate por 1 a 1 no tempo normal, num Pacaembu lotado, o Colorado venceu nos pênaltis por 3 a 1.
“A rivalidade é muito grande. Quando vimos o chaveamento, já pensamos no possível Grenal. Aí tiramos o Corinthians nas semifinais e eles passaram pelo Oeste. Ficamos no mesmo hotel para a final. O clima foi ficando ainda mais tenso. Aí deu tudo certo e fomos campeões. Confesso, a gente achava que o elenco gremista era melhor”, contou.
Em 2021, Emerson Jr foi emprestado ao Figueirense, onde disputou o Campeonato Catarinense. Foram seis meses em Florianópolis. Com a contusão de Daniel, o Inter/RS solicitou o seu retorno e de Keiller, que estava na Chapecoense.
“Achei que desta vez eu iria jogar, mas só ia para o banco. Comecei a ficar agoniado. Eu queria jogar. Achei que estava perdendo tempo, mesmo estando em um grande clube. E já fazia 12 anos que eu estava lá. A rotina estava pegando. Optei por sair. Pedi para ser emprestado”, relatou.
O goleiro rasgou elogios ao argentino D’Alessandro. “Ele sempre foi meu ídolo. O dia a dia dele é sensacional. Às vezes eu chegava três horas antes do treino, até por ter subido da base, e ele já estava lá. Por isso, merece toda essa idolatria do torcedor colorado”, elogiou.
Sua maior inspiração é Alisson Becker, do Liverpool, e titular da Seleção Brasileira. “Temos inclusive o mesmo empresário. Ele está muito à frente dos outros. No Inter/RS eu pude conviver com ele. O clube fazia uns eventos reunindo os goleiros do profissional e da base. A gente estava sempre junto. Um baita cara”, lembrou.
Emerson Jr foi emprestado para o Atlético/GO, mas também não jogou como titular. Retornou ao Inter/RS, porque tinha contrato com o time gaúcho até 2025. Mas decidiu rescindir e aceitou o convite do Guarani. Novamente não conseguiu ter uma sequência. Curiosamente, foi treinado por Matheus Costa, hoje na Inter de Limeira.
Aliás, o novo titular leonino esclareceu que não teve nenhum problema com o treinador, apenas não jogava no time campineiro. Foi utilizado somente na Copa Paulista.
“Poucas pessoas sabem, mas fui treinado pelo Matheus Costa na base do Inter/RS há 10 anos. Quis o destino que a gente se reencontrasse no Guarani. O dia a dia dele é muito bom. Quando veio o convite da Inter, ele mesmo achou que era bom que eu aceitasse, uma vez que eu não teria espaço com ele em Campinas. Me aconselhou e disse que seria melhor para minha carreira. Mal sabia ele que meses depois nós estivéssemos juntos novamente, agora em Limeira”, confidenciou.
Emerson Jr disse que não pensou duas vezes quando recebeu o convite da Internacional.
“Eu queria jogar. Goleiro precisa ter sequência, precisa de minutagem. Quanto mais você joga, melhor você fica. E olha que quase fui para o Floresta. Estava até vendo casa lá no Ceará. Mas deu certo aqui na Inter. Rezei com minha namorada para que tomássemos a decisão correta. Cheguei em dezembro no Limeirão e esperei cinco meses para que enfim, eu pudesse realmente jogar. Essa é a maior sequência que estou tendo no profissional. Espero dar continuidade. Está sendo um divisor de águas na minha carreira. Estou muito motivado”, frisou.
Emerson disse que seus pais e sua namorada foram fundamentais para que não desistisse da carreira. “Tive muita resiliência e apoio de casa. Só não parei porque sei do meu potencial. Sei que tenho muito ainda a apresentar. Trabalhei muito para chegar até aqui”, afirmou.
Emerson Jr, que tem o hábito de tomar chimarrão com os amigos Vidal, Adryel e Will na Inter, só não estará em campo nesta primeira fase contra o Guarani, no Brinco de Ouro da Princesa, por estar emprestado pelo time campineiro. O mesmo acontece com o volante Fabrício Dias.
Para fechar, perguntado sobre a SAF com Ronaldo Fenômeno, Roberto Carlos e até um príncipe, Emerson Jr disse que os jogadores quase não falam sobre isso. “A gente sabe só o que lê na mídia. Ou seja, o mesmo que vocês da imprensa. Mas que chama a atenção, isso sem dúvida”, completou.

