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Quedas lideram internações de crianças por acidentes no Brasil há dez anos, aponta estudo

Foto: Marcelo Alixandre/Rápido no Ar

As quedas permanecem como a principal causa de hospitalizações por acidentes entre crianças e adolescentes de até 14 anos no Brasil. Um levantamento do Projeto Criança Segura, da Aldeias Infantis SOS, aponta que 518.249 pessoas dessa faixa etária foram internadas após quedas entre 2016 e 2025. Somente no último ano analisado, foram 55.814 hospitalizações por esse motivo.

O estudo, elaborado a partir de dados do Ministério da Saúde, mostra que o número total de internações de crianças e adolescentes por acidentes passou de 121.933, em 2024, para 128.466, em 2025, alta de 5,4%.

O volume registrado no ano passado representa uma média de 352 internações por dia, aproximadamente 15 a cada hora.

As quedas responderam por 43,4% das hospitalizações analisadas em 2025. Na sequência aparecem queimaduras, com 19,6%, e acidentes de trânsito, com 9,9%.

Também foram registradas intoxicações (3,3%), sufocações (0,5%), afogamentos (0,2%) e acidentes com armas de fogo (0,1%). Outros tipos de ocorrências corresponderam a 23,1%.

Na comparação com 2024, as intoxicações tiveram o maior crescimento, de 19,7%. As sufocações aumentaram 10,8%, enquanto as hospitalizações por queimaduras avançaram 7,4%.

Falta de detalhes nos registros preocupa

O levantamento também chama atenção para a quantidade de internações por quedas sem informações detalhadas sobre como os acidentes aconteceram.

Das 55.814 hospitalizações por quedas em 2025, 25.774 não tiveram o tipo de ocorrência especificado, o equivalente a 46,2%. Considerando todo o período entre 2016 e 2025, os registros sem especificação chegaram a 48,1%.

Para a Aldeias Infantis SOS, informações mais completas nos prontuários e boletins de atendimento podem contribuir tanto para o acompanhamento das vítimas quanto para o desenvolvimento de políticas e campanhas de prevenção.

Segundo a organização, mais de 90% dos acidentes envolvendo crianças e adolescentes podem ser evitados.

Acidentes provocaram mais de 3,3 mil mortes em 2024

O estudo também analisou as mortes de crianças e adolescentes de até 14 anos registradas em 2024. Ao todo, 3.341 óbitos foram relacionados às oito categorias de acidentes avaliadas.

As sufocações aparecem como a principal causa, com 1.039 mortes, correspondentes a 31,1% do total. Em seguida estão os acidentes de trânsito, com 922 óbitos (27,6%), e os afogamentos, com 850 (25,4%).

Somadas, essas três causas representaram aproximadamente 84,1% das mortes analisadas.

A idade das vítimas também apresenta diferenças conforme o tipo de acidente. Crianças entre 1 e 4 anos concentraram 1.095 mortes, enquanto bebês com menos de 1 ano representaram 930 óbitos.

Nas ocorrências envolvendo sufocação, 75% das vítimas fatais eram bebês. Já os afogamentos atingiram principalmente crianças de 1 a 4 anos.

A Aldeias Infantis SOS defende a ampliação das ações preventivas, com participação de famílias, profissionais de saúde e gestores públicos na identificação e redução dos riscos presentes durante a infância.

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