O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou nesta quinta-feira (5) sua renúncia em meio à crise provocada pela intervenção e pelo colapso do banco digital Ueno Bank. A situação deixou cerca de 2,9 milhões de clientes sem acesso às contas e desencadeou protestos e cobranças por responsabilização. reuters.com
O anúncio ocorreu enquanto a Câmara dos Deputados discutia a abertura de um processo de impeachment. Sem o apoio do próprio Partido Colorado, Peña afirmou que a decisão buscava preservar a estabilidade do país e as instituições democráticas.
O vice-presidente Pedro Alliana é o sucessor previsto. A transição depende dos procedimentos no Congresso, incluindo a análise da renúncia pelo Senado.
Mesmo após o pronunciamento, a Câmara aprovou por unanimidade a abertura do impeachment. Caberá ao Senado definir os próximos passos do processo. apnews.com
Crise bancária atingiu o governo
A crise começou na terça-feira (3), com a intervenção do Banco Central do Paraguai no Ueno Bank. O bloqueio dos depósitos atingiu correntistas, aposentados e empresas que dependiam da instituição para pagamentos e movimentações financeiras.
O caso chegou à Presidência porque Peña havia sido acionista, até março de 2025, do Grupo Vázquez, ligado ao banco. A oposição questiona possíveis conflitos de interesses e a aplicação de recursos públicos, incluindo dinheiro da previdência social, na instituição.
Outra cobrança envolve a nomeação de Carlos Carvallo para o comando do Banco Central. Ele havia sido dirigente do Ueno antes de assumir a autoridade monetária e também renunciou ao cargo após o início da crise.
Peña nega irregularidades. Ao anunciar sua saída, pediu desculpas à população e afirmou que nunca teve a intenção de trair a confiança dos paraguaios.
Pressão nas ruas e perda de apoio
Manifestantes cobram a devolução do dinheiro e a punição dos responsáveis. A crise também levou a investigações sobre a gestão do banco e a atuação de seus dirigentes.
O presidente do Partido Colorado e ex-presidente do Paraguai, Horacio Cartes, retirou o apoio a Peña e afirmou que a legenda não defenderia o desvio de recursos públicos, privados e de aposentados.
A oposição, por sua vez, acusa o partido de tentar se distanciar das decisões que contribuíram para a crise.
Comércio e aposentados afetados
Além dos depósitos individuais, o Ueno administrava pagamentos de pensões e concentrava recursos de órgãos públicos. O bloqueio das contas comprometeu operações comerciais e a rotina de famílias que utilizavam o banco.
A Associação de Importadores e Comerciantes do Paraguai alertou para o risco de paralisação parcial do comércio, diante da dificuldade de clientes e empresas para movimentar dinheiro.
O país dispõe de um fundo garantidor para ressarcir depósitos dentro dos limites de cobertura. Valores acima desse teto estão entre as principais preocupações relacionadas à recuperação dos recursos.

