A Operação Argos, deflagrada na manhã de ontem quarta-feira (25) pela Polícia Civil da Paraíba em conjunto com o Ministério Público estadual, também teve desdobramentos na região de Campinas. Um dos principais alvos da investigação, apontado como líder da organização criminosa, foi preso em um condomínio de alto padrão em Hortolândia (SP).
A ofensiva tem como objetivo desarticular uma organização criminosa armada voltada ao tráfico interestadual de entorpecentes e à lavagem de dinheiro em larga escala. Ao todo, estão sendo cumpridos 44 mandados de prisão preventiva e 45 mandados de busca e apreensão em quatro estados.
O homem preso em Hortolândia é Jamilton Alves Franco, conhecido como “Chocô”, natural de Cajazeiras (PB). Segundo a investigação, ele estaria radicado em São Paulo desde a juventude e teria se consolidado como o maior fornecedor de cocaína para o estado da Paraíba e regiões próximas de Pernambuco e Ceará. Na residência os policiais encontraram uma grande quantidade de ouro, avaliado em mais de R$ 1 milhão segundo a polícia.
De acordo com as autoridades, a ascensão financeira do investigado foi marcada pela ostentação de alto padrão de vida, incluindo imóveis de luxo e veículos importados — cenário que contrasta com a origem da atividade ilícita apurada.
A prisão foi realizada por equipes da DRACO (Delegacia de Repressão ao Crime Organizado da Paraíba) com apoio do DEIC de Piracicaba, reforçando a atuação integrada entre forças policiais de diferentes estados.
Bloqueio milionário e sequestro de bens
A Operação Argos mobiliza mais de 400 policiais civis e conta com apoio do GAECO/MPPB, UNINTELPOL, GOE, Coordeam, Delegacias de Repressão a Entorpecentes e delegacias estratégicas da Paraíba. Em São Paulo, a ação teve suporte do DENARC, do DEIC de São Bernardo do Campo e do DEIC de Piracicaba, além da colaboração das Polícias Civis da Bahia e Mato Grosso.
O foco da operação é a chamada asfixia patrimonial da organização criminosa. A Justiça determinou:
• Bloqueio de R$ 104.881.124,34
• Sequestro de 13 imóveis de alto padrão
• Sequestro de 40 veículos de luxo, avaliados em mais de R$ 8 milhões
As investigações tiveram início em 2023, após sucessivas apreensões de drogas atribuídas ao grupo. A apuração revelou uma estrutura hierárquica dividida em núcleo gerencial em São Paulo e células operacionais na Paraíba, além de um sistema estruturado de lavagem de dinheiro com uso de empresas de fachada e terceiros.

