Uma mulher, de 31 anos, foi presa por policiais civis da 1ª DIG/DEIC, em Piracicaba (SP), após a descoberta que ela forjou o próprio sequestro e que estava extorquindo familiares. Inclusive, ela chegou a receber dinheiro, através de PIX, em benefício próprio, alegando que caso não fosse feito ela seria morta.
Os policiais, chefiados pelo delegado Marcel Willian Oliveira de Sousa, iniciaram as investigações, após receberem um Boletim de Ocorrência, registrado no Plantão Policial, e que versava sobre Desaparecimento de Pessoa e Extorsão Mediante Sequestro.
De acordo com o que consta do registro inicial, o registro foi feito pela mãe da suposta vítima, no dia 30 de janeiro, quando ela teria sido sequestrada na Rua Ingá, no bairro Monte Líbano. Ainda de acordo com a mãe da “vítima”, a sua neta, de 7 anos, falou que um homem chamou por sua mãe e esta saiu de casa sem avisar.
A genitora relatou que a filha não possuía o hábito de sair de casa sem avisar para onde iria, que nunca faltou ao trabalho e que não faz uso de substâncias entorpecentes. Relatou, ainda, que a filha tem dívida com agiota e este exigiu ela (vítima do suposto sequestro) pagasse com favores sexuais, o que foi negado por ela.
A “sequestrada” dizia para a mãe que foi levada por dois homens, sendo que um deles estava armado, que ela estava sendo mal alimentada e recebendo remédios para dormir.
Disse, ainda, que se não conseguissem o dinheiro, eles iriam matá-la. A filha também relatou que estava presa em um local sem banheiro, sendo levada, de carro, para um sítio.
A suposta vítima não relatou mais características sobre os autores e sobre o local. O pedido de pagamento feito pela vítima era para a própria conta PIX, não em conta de terceiros. Assim foram realizadas todas as medidas pertinentes, realizado acompanhamento da família e adotadas as providências de polícia judiciária junto ao Poder Judiciário.
Após conversas mantidas com a mãe, por mensagens, a filha disse que os “sequestradores” concordaram em receber R$3.500,00 como condição para o resgate, alegando que deveria receber o valor nesta segunda-feira (2), por volta do meio-dia, senão ela seria morta, sendo ainda informado pela vítima que ela havia sido retirada da cidade de Piracicaba e levada para outra cidade.
Os policiais já desenvolviam trabalho investigativo com recursos técnicos e foi descoberto que a filha em momento algum havia saído da cidade. Desta forma, a mãe acabou realizando uma transferência, via PIX, para a própria filha, a qual alegou que seria libertada, mas não informou local e circunstâncias.
A farsa é descoberta
Sabendo da “libertação” da vítima do “cativeiro”, os policiais civis se posicionaram realizando observação discreta com foco na sua residência, na Rua Ingá, ou seja, a própria residência da mãe dela. Em dado momento, um policial civil que circulava com viatura informou ter localizado, à uma certa distância, uma pessoa com características congêneres, a qual caminhava em via pública em velocidade normal, sem demonstrar qualquer nervosismo ou desespero.
Pelo contrário, a mulher falava ao celular normalmente, como se nunca tivesse sido vítima de crime e, ainda, seguiu caminhando até a residência sendo que, junto ao portão, foi abordada pelo agente policial.
Levada à sede da Deic, a mulher começou a oferecer versões contraditórias, inclusive, repetindo que, nesta segunda-feira, havia sido retirada da cidade de Piracicaba, insistindo no arrebatamento.
No entanto, quando confrontada com as informações verdadeiras coletadas durante a investigação, acabou confessando que realmente não estava sequestrada, que tudo não passava de uma invenção sua, alegando que havia permanecido dois dias na residência de um amigo.
Ela falou que o dinheiro que havia recebido da mãe, e que seria o “resgate”, havia sido transferido para uma terceira pessoa, que foi identificada e levada à delegacia, onde esclareceu que não tinha qualquer conhecimento de que ela estivesse “sequestrada”.
Na unidade policial, o delegado a recolheu e ela permaneceu à disposição da Justiça.

