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Ministério Público aponta descumprimento de obrigação judicial pela Hapvida em Limeira e convoca pacientes a denunciar problemas

Foto: Veloz/Rápido no Ar

Demora para conseguir consultas, exames e cirurgias, negativas de cobertura, dificuldades para receber medicamentos e problemas no pronto atendimento. Se você é beneficiário da Hapvida em Limeira e já enfrentou alguma dessas situações, o Ministério Público de São Paulo quer ouvir seu relato. A iniciativa faz parte de uma nova etapa de fiscalização da operadora, que é alvo de uma ação civil pública e de uma decisão judicial que determina melhorias na assistência prestada aos pacientes.

Nesta quarta-feira (28), o Rápido no Ar recebeu um ofício da 5ª Promotoria de Justiça de Limeira solicitando a divulgação de um formulário oficial destinado aos usuários do plano de saúde. O objetivo é reunir informações diretamente dos pacientes para verificar se as determinações da Justiça estão sendo cumpridas.

A medida foi adotada pelo promotor de Justiça Hélio Dimas de Almeida Júnior, responsável pela Promotoria de Justiça do Consumidor de Limeira, e ocorre em meio a um novo procedimento administrativo instaurado para acompanhar o cumprimento das obrigações impostas à Hapvida.

Um dos pontos que mais chamam a atenção no documento é que, segundo o Ministério Público, a operadora não havia apresentado os dois primeiros relatórios mensais exigidos pela decisão judicial.

Conforme a portaria, o primeiro relatório deveria ter sido entregue até 9 de setembro, enquanto o segundo venceu em 9 de outubro. Até a elaboração do documento, datado de 19 de outubro, nenhum deles havia sido encaminhado à Promotoria de Justiça do Consumidor ou juntado aos autos judiciais.

Esses relatórios são considerados fundamentais para verificar, entre outras questões, os prazos de atendimento, a disponibilidade de consultas e exames, as negativas de cobertura, os deslocamentos para outros municípios e as respostas fornecidas aos beneficiários.

A situação teve início com investigações conduzidas pelas Promotorias de Justiça da Saúde Pública e do Consumidor de Limeira, que resultaram no ajuizamento de uma ação civil pública contra a Hapvida.

Em 4 de agosto de 2026, a Vara da Fazenda Pública de Limeira concedeu uma decisão liminar determinando uma série de obrigações à operadora. Entre os problemas apontados no processo estão o descumprimento dos prazos máximos para consultas, exames, terapias e internações eletivas, negativas de cobertura sem a devida análise técnica, obstáculos administrativos em atendimentos de urgência e emergência e dificuldades relacionadas ao fornecimento de medicamentos utilizados no tratamento contra o câncer.

A decisão também aborda situações em que pacientes precisam se deslocar para outras cidades em busca de atendimento, sem alternativas adequadas de transporte ou reembolso, além de questões relacionadas às condições de espera no pronto atendimento e à ausência de respostas formais às solicitações dos beneficiários.

A Justiça estabeleceu multa de R$ 50 mil por infração constatada. Entretanto, a aplicação da penalidade não é automática: depende da identificação de um descumprimento específico, da oportunidade de manifestação da Hapvida e do reconhecimento judicial da irregularidade.

Outro ponto relevante é que, em 13 de outubro, o Tribunal de Justiça de São Paulo negou o pedido da Hapvida para suspender os efeitos da liminar. Com isso, as obrigações determinadas judicialmente permaneceram em vigor.

Posteriormente, em decisão de 14 de outubro, a Justiça autorizou que o acompanhamento rotineiro dessas determinações fosse concentrado em procedimentos administrativos conduzidos pelo Ministério Público, mantendo a eficácia da liminar mesmo diante de uma discussão sobre a competência para julgar a ação.

Diante desse cenário, a Promotoria de Justiça do Consumidor instaurou um procedimento administrativo de acompanhamento para fiscalizar as determinações judiciais, requisitar informações detalhadas à empresa e reunir relatos diretamente dos pacientes.

A Hapvida deverá fornecer dados padronizados sobre os atendimentos, permitindo identificar ocorrências individualmente, em vez de apresentar apenas números gerais. A fiscalização também deverá examinar eventuais atrasos em internações, interrupções no fornecimento de medicamentos contra o câncer, alterações na rede credenciada e dificuldades enfrentadas pelos usuários em situações de urgência e emergência.

O Ministério Público estabeleceu que os relatórios sejam apresentados mensalmente, com informações detalhadas e documentação que permita verificar o cumprimento das obrigações. A operadora também foi notificada a apresentar informações iniciais e poderá manifestar interesse em um eventual acordo sobre as obrigações acompanhadas, sujeito à homologação judicial.

Além de cobrar explicações da empresa, o Ministério Público decidiu ouvir quem utiliza o plano de saúde.

Para isso, determinou a criação e divulgação de um formulário eletrônico no qual os beneficiários podem registrar problemas enfrentados no atendimento. A proposta é confrontar as informações fornecidas pela operadora com a experiência relatada pelos próprios pacientes.

Podem ser comunicadas dificuldades para agendar consultas, exames, terapias, cirurgias e internações, inclusive tratamentos como quimioterapia e radioterapia; negativas de cobertura; encaminhamentos para outras cidades sem solução adequada de transporte ou reembolso; atrasos no fornecimento de medicamentos; exigências administrativas em situações de urgência; ausência de protocolos ou respostas; e problemas nas condições de espera do pronto atendimento.

O formulário também permite registrar outras dificuldades relacionadas à assistência prestada pela Hapvida.

O Ministério Público orienta que seja preenchido um formulário para cada problema relatado. O beneficiário deverá informar seus dados de identificação e contato, que serão tratados sob sigilo e com acesso restrito, conforme as regras estabelecidas no procedimento.

Não é necessário encaminhar documentos médicos pelo formulário. A recomendação é guardar protocolos, mensagens, receitas e recibos, pois esses materiais poderão ser solicitados posteriormente para auxiliar na apuração.

Para registrar uma reclamação diretamente ao Ministério Público, acesse o formulário oficial:
https://forms.cloud.microsoft/r/6hyV3sbsgb

Entre as situações que podem ser comunicadas estão:

O preenchimento deve ser feito pelo próprio beneficiário ou por seu responsável. A iniciativa é destinada aos usuários da Hapvida em Limeira, incluindo os servidores municipais e seus dependentes vinculados ao plano.

A Prefeitura de Limeira também será acionada para divulgar o formulário aos servidores e dependentes e realizar uma nova pesquisa de satisfação sobre os serviços prestados pela operadora.

O pedido tem relação com levantamentos anteriores realizados pelo município. Segundo o Ministério Público, na quinta pesquisa de satisfação, realizada em junho de 2024, houve redução da percepção positiva em 11 dos 13 itens avaliados e aumento da percepção negativa em 12 deles.

A nova pesquisa deverá utilizar a mesma metodologia, permitindo comparar os resultados e verificar se houve mudanças na percepção dos usuários após a decisão judicial.

A fiscalização também contará com a participação de outros órgãos. A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) deverá fornecer informações sobre reclamações registradas por beneficiários vinculados ao atendimento em Limeira, enquanto a Vigilância Sanitária Municipal foi acionada para realizar inspeções nas dependências do Pronto Atendimento.

As vistorias deverão verificar as condições das salas de espera, a disponibilidade de sanitários, a privacidade dos pacientes e os procedimentos relacionados ao preparo e à administração de medicamentos, entre outros pontos previstos na decisão judicial.

O Ministério Público pretende acompanhar o cumprimento das obrigações por meio de relatórios mensais, verificações documentais, inspeções e relatos dos consumidores.

Caso sejam identificados novos descumprimentos, poderão ser adotadas medidas judiciais. A Hapvida deverá ter oportunidade de se manifestar sobre as irregularidades apontadas antes de qualquer reconhecimento judicial que possa resultar na aplicação das multas previstas.

O que está em jogo vai além de uma reclamação individual. As informações encaminhadas pelos pacientes poderão ajudar o Ministério Público a identificar problemas recorrentes e verificar se a assistência prestada aos beneficiários está de acordo com as obrigações impostas pela Justiça.

Por isso, quem enfrentou dificuldades com o plano em Limeira tem agora um canal oficial para contribuir diretamente com a fiscalização.

A iniciativa também reforça a importância de guardar comprovantes, números de protocolo e registros de atendimento, que podem ser fundamentais para demonstrar o que aconteceu.

O Rápido no Ar recebeu o ofício nº 243/2026, assinado pelo promotor Hélio Dimas de Almeida Júnior em 28 de outubro, solicitando a divulgação da iniciativa para ampliar o alcance da coleta de relatos.

Se você é beneficiário da Hapvida em Limeira e enfrentou problemas no atendimento, seu relato pode ajudar o Ministério Público a fiscalizar o cumprimento da decisão judicial.
Acesse o formulário oficial: https://forms.cloud.microsoft/r/6hyV3sbsgb

O que diz a Hapvida

Em nota enviada ao Rápido no Ar, a Hapvida afirmou que ainda não foi oficialmente notificada e que prestará os esclarecimentos necessários nos autos processuais, dentro do prazo estabelecido.

Confira a íntegra:

“A empresa reafirma seu compromisso em fornecer a melhor assistência e cuidado aos seus clientes. Esclarece que ainda não foi oficialmente notificada, e que todos os esclarecimentos necessários serão prestados dentro dos autos processuais e dentro do prazo regular estabelecido. Reforça seu compromisso com as autoridades e mantém o compromisso contínuo com os pacientes. Reitera, ainda, que está à disposição para fornecer quaisquer esclarecimentos adicionais que se fizerem necessários.”

 

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