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Milei abre plano para até 21 mil servidores deixarem o emprego na Argentina

FOTO: Pixabay

O governo de Javier Milei publicou, na segunda-feira (19), um decreto que estabelece um programa de demissão voluntária para até 21 mil servidores públicos federais da Argentina. Os cargos deixados por quem aderir serão eliminados permanentemente.

A iniciativa amplia a política de redução de despesas da administração argentina. O governo defende que os desligamentos dependem da decisão dos trabalhadores, mas a Associação dos Trabalhadores do Estado (ATE) denuncia intimidação para que funcionários aceitem a proposta.

Como funciona o programa

O decreto contempla três grupos de servidores, incluindo trabalhadores entre 58 e 64 anos, próximos da aposentadoria, e aqueles que já alcançaram os requisitos para se aposentar. Militares e funcionários das áreas de segurança e inteligência não estão abrangidos.

Entre as condições previstas estão o pagamento de um salário por ano trabalhado no Estado e parcelas mensais equivalentes a 60% da remuneração durante três anos, conforme a modalidade de desligamento.

Segundo o ministro da Desregulação e Transformação do Estado, Federico Sturzenegger, os participantes não poderão voltar a ocupar empregos no Estado por oito anos.

Sindicato denuncia pressão e recomenda não aderir

O secretário-geral da ATE, Rodolfo Aguiar, afirma que servidores têm recebido ameaças de afastamento e posterior demissão caso não aceitem o programa. Para a entidade, esse tipo de pressão compromete o caráter voluntário anunciado pelo governo.

A associação informou que recomendará aos trabalhadores que não participem. Também argumenta que a redução do quadro pode prejudicar serviços essenciais e provocar a perda de profissionais experientes.

O governo, por sua vez, apresenta a iniciativa como parte de uma estratégia de austeridade e eficiência administrativa.

Setor público já perdeu 77,5 mil postos

Dados divulgados pela administração argentina apontam que 77,5 mil postos de trabalho foram suprimidos entre dezembro de 2023 e agosto de 2026. O levantamento reúne cortes na administração pública, nas empresas estatais e nas forças militares e de segurança.

Nesse período, o quadro da Administração Pública Nacional diminuiu 21,8%, enquanto as estatais registraram redução de 23,7%. Segundo o governo, os cortes representam uma economia de aproximadamente US$ 3,2 bilhões.

O programa é anunciado em um cenário de retração do emprego. Conforme os dados apresentados do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec), o desemprego chegou a 7,9% no primeiro semestre de 2026, alta de 0,3 ponto percentual na comparação com o mesmo período de 2025.

Já um levantamento do Centro de Economia Política Argentina (Cepa) aponta o fechamento de 31,3 mil empresas e a eliminação de 245 mil empregos formais em 31 meses sob o governo Milei.

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