Mesmo com a 13ª colocação na Série A-2 do Campeonato Paulista e apenas uma vitória, o executivo de futebol Luciano Mancha afirmou que a confiança voltou ao Limeirão com a chegada de Waguinho Dias.
Segundo o dirigente, o ambiente é outro. “Trabalhei com o Waguinho. Ele sempre foi um paizão, que se preocupa com o bem estar do atleta. Para se ter uma ideia, ele reuniu todo o elenco e ouviu um por um sobre como o jogador gosta de jogar e a maior dificuldade que está encontrando aqui. Vi no semblante dos jogadores que eles aprovaram a mudança e à partir de agora, vocês verão uma nova Inter em campo, começando por sábado diante do Votuporanguense, no Limeirão”, disse em sua participação no Pimba nos Esportes da Melhor FM.
Mancha não se sentiu confortável com a entrevista dada por Alberto Félix na semana anterior, no próprio programa de esportes. Segundo o executivo, o ex-técnico era “muito difícil de se lidar”.
Mancha assumiu a responsabilidade por trazê-lo. “Esse erro é meu e eu assumo. Tínhamos alguns nomes na mesa, mas analisei o currículo do Alberto e convenci o presidente Danilo Maluf que seria a melhor escolha. Veja bem, nos últimos quatro anos ele bateu na trave na Série A-2 com times bem inferiores ao nosso. Na minha cabeça, com um time competitivo em mãos como formamos para esta temporada, a chance de subir seria grande. Acredito que não tenha pensado errado. Infelizmente não deu certo e os resultados não vieram. Mas o presidente agiu rápido e o demitiu. Não ficamos esperando algo de diferente acontecer. Agora temos que pensar em reação”, explicou.
Mancha disse que ofereceu vários jogadores a Alberto Félix, mas o treinador não teria aceitado nenhum. “Perdemos jogadores de alto nível porque simplesmente ele disse que não conhecia. Aí fica difícil”, completou o supervisor Jorge Silvestre, presente no mesmo programa.
Mancha também criticou o esquema tático do ex-técnico. “Minha mulher chegou a me dizer que nosso time parecia um caranguejo, que só jogava para trás. O Alberto é uma boa pessoa, isso é inegável, mas perdeu o vestiário. Os jogadores não estavam contentes. Muitos deles foram até prejudicados pelo esquema tático implantado por ele (Lucas Santos e Lucas Buchecha em especial). Com Waguinho vamos jogar ofensivamente. Chega de retranca”, frisou.
Mancha disse que, tirando os jogadores que permaneceram da Série D, participou de quase todas as negociações. “Nosso elenco é muito qualificado. Qualquer jogador que está aqui poderia tranquilamente disputar uma Série B de Brasileiro. Falta dar liga e isso tenho certeza que acontecerá à partir de agora. Conheço bons treinadores no mercado capazes de enxergar o jogo e o Waguinho é um deles. Ele sempre foi vitorioso por onde passou. Já vimos uma grande diferença no sábado passado em São José dos Campos (empate por 1 a 1)”, lembrou.
O executivo de futebol afirmou que se sente pressionado, mas que tem contrato até 30 de setembro, ou seja, até o fim da Série C. Disse que tem dormido pouco, porque não pode errar nas quatro fichas que a Inter ainda tem direito para inscrever na Série A-2.
“Acredito que nenhum time da A-2 ainda tenha quatro fichas. A gente está ativo no mercado. Vamos trazer reforços que chegarão para jogar. Tipo, já vão se apresentar até de uniforme (sorriu). Se for para serem iguais ou inferiores aos jogadores que temos aqui, aí não precisamos trazer. Nosso elenco não é curto como todos falam. Temos 24 jogadores, contando com o Nicolas e o Léo Lopes que são da base. Da para trabalhar tranquilamente”, acrescentou.
Mancha disse que em nenhum momento a palavra “rebaixamento” foi falada no Limeirão, mesmo com o baixo aproveitamento de 28%. “Nosso time não foi montado para brigar para não cair. Nosso maior desafio é buscar uma das oito vagas de classificação. Vamos conseguir. Só são três pontos do G-8. Aí meu amigo, a camisa da Inter pesa num quadrangular. Será outro campeonato”, comentou.
Claro que a Série C do Brasileiro também está em pauta. A competição nacional começará em abril e culminará com a fase final da Série A-2. “Vamos trazer de oito a dez reforços. É uma competição muito forte, da qual estou acostumado a disputar, até pelos times que trabalhei. O ponto fundamental é fazer uma boa logística”, adiantou.
Mancha reclamou do mercado, que segundo ele, está inflacionado. “Qualquer jogador hoje já começa a conversar nos três dígitos (acima de R$ 100 mil mensais). Não vamos fazer loucuras. Temos um planejamento a ser seguido e um teto a ser alcançado. Nosso presidente sabe negociar como poucos. Sei até onde posso chegar com os valores. Passando disso, a gente descarta. Jogador é esperto. Ele analisa a situação do time na classificação e quando vê que há, por exemplo, um desespero ou uma pressa no ar, ele aumenta a pedida. Mas tenho experiência de sobra para lidar com situações como essa”, confidenciou.
O executivo confirmou que os jogadores também foram cobrados pelo desempenho abaixo do esperado neste início de A-2. “Damos toda a estrutura necessária aos atletas. Os salários estão em dia como poucos times no Brasil, os quartos do alojamento foram todos reformados, com roupa de cama nova, colchões novos e até televisores novos. A nossa alimentação sempre foi elogiada. Enfim, tudo o que um atleta precisa para desempenhar o seu bom futebol. E eles sabem dos esforços do nosso presidente, que não deixa faltar nada. Sem contar que muitas vezes ele deixa sua empresa para acompanhar os treinos. Por isso até, achei as pichações feitas no Limeirão bastante injustas com o Danilo Maluf. Mas sabemos como é o futebol e o que existe por trás de tudo isso”, desabafou.
Mancha completou pedindo paciência ao torcedor leonino no sábado. “Sei que todos querem a vitória, mas ninguém quer mais do que nós mesmos. Vamos enfrentar um time que está em quarto lugar e que tem um treinador estrategista (Paulo Roberto Santos). Não será fácil, mas vamos vencer. Precisamos deste voto de confiança do leonino. Uma vitória nos colocará de novo na briga pela classificação. É um confronto direto. As coisas vão mudar”, completou.

