A catarata é uma das principais causas de perda de visão no mundo e está diretamente relacionada ao envelhecimento. A condição ocorre quando o cristalino, lente natural localizada dentro do olho, torna-se opaco, dificultando a passagem da luz e comprometendo a visão. Embora seja mais comum a partir dos 60 anos, pode surgir mais cedo, dependendo de fatores de saúde e hábitos de vida.
O que é a catarata e como ela afeta a visão
Segundo o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), a catarata provoca uma redução progressiva da visão. O paciente costuma perceber a visão turva ou embaçada, como se estivesse olhando através de um “véu”. Com o avanço da doença, tarefas simples, como ler, dirigir ou reconhecer rostos, tornam-se mais difíceis.
Outros sinais frequentes incluem sensibilidade excessiva à luz, dificuldade para enxergar à noite, alteração na percepção das cores — que podem parecer mais apagadas ou amareladas — e a presença de halos ou reflexos ao redor de lâmpadas e faróis. Em alguns casos, a pessoa passa a trocar o grau dos óculos com frequência ou percebe visão dupla em apenas um olho.
Quando a cirurgia é indicada
A catarata não tem tratamento clínico. O único tratamento eficaz é a cirurgia, indicada quando a perda visual começa a interferir na qualidade de vida do paciente. De acordo com a presidente do CBO, Maria Auxiliadora Frazão, todas as pessoas tendem a desenvolver catarata ao longo da vida, em maior ou menor grau.
“Com o tempo, a opacidade do cristalino avança e passa a prejudicar a visão. A cirurgia é o momento de restaurar essa capacidade visual”, explica a oftalmologista.
Como funciona a cirurgia de catarata
O procedimento é considerado seguro e rápido. Realizado com anestesia local, não causa dor e, na maioria dos casos, não exige internação. Durante a cirurgia, o cristalino opaco é removido e substituído por uma lente artificial intraocular, que devolve a nitidez da visão.
A recomendação médica é operar um olho de cada vez, com um intervalo de algumas semanas entre os procedimentos. Esse cuidado permite avaliar a recuperação, a adaptação à lente e os resultados antes da cirurgia no outro olho.
Cuidados no pós-operatório
Após a cirurgia, os oftalmologistas orientam repouso relativo nos primeiros dias. É importante evitar coçar ou apertar os olhos, não carregar peso e seguir corretamente o uso de colírios antibióticos e anti-inflamatórios prescritos pelo médico. A recuperação costuma ser rápida, com melhora significativa da visão em pouco tempo.
Riscos e avaliação prévia
Apesar de ser um procedimento rotineiro, a cirurgia de catarata envolve riscos, como infecções e descolamento de retina. Por isso, é fundamental a realização de exames antes da operação. Condições como diabetes descontrolado, doenças da retina ou outras alterações oculares podem exigir tratamento prévio ou adiar a cirurgia.
Cirurgia mais realizada no SUS
A cirurgia de catarata é o procedimento oftalmológico eletivo mais realizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Dados do Observatório da Saúde Ocular, do CBO, indicam que entre 2015 e 2025 foram realizadas 7,8 milhões de cirurgias no país, um crescimento de 120% em dez anos. A maior parte dos procedimentos ocorre em pessoas acima dos 40 anos, refletindo o impacto do envelhecimento da população.

