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GAECO realiza a operação em Rio Claro para desestruturar organização criminosa

Foto: Reprodução/MPSP

O Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), em atuação conjunta com a Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Rio Claro, e com o apoio estratégico da Secretaria de Estado da Fazenda de São Paulo, deflagrou nesta quarta-feira (11) a Operação Linea Rubra.

O objetivo é desarticular a estrutura logística, financeira e operacional do Comando Vermelho no interior paulista, mirando em organização criminosa estruturada e dedicada ao tráfico de drogas e armas, à lavagem de dinheiro e a homicídios, com atuação principal na região de Rio Claro.

Foto: Polícia Civil

A operação acontece no contexto de recrudescimento da criminalidade violenta na localidade devido a disputas territoriais entre o Primeiro Comando da Capital e uma organização rival que, após ser desarticulada em 2023, deu lugar a uma nova liderança. No comando, está Leonardo Felipe Panono Scupin Calixto, conhecido como Bode.

De acordo com as investigações, Calixto passou a integrar o Comando Vermelho, figurando como uma de suas lideranças no interior do Estado. Atualmente, ele e seu braço-direito encontram-se foragidos, supostamente escondidos em comunidades do Rio de Janeiro sob domínio da facção fluminense.

Enquanto líder, Calixto coordena a produção e distribuição de drogas em larga escala, controla finanças milionárias e autoriza execuções de rivais para expandir seu domínio. O grupo utiliza um modus operandi profissionalizado que inclui o uso de “carros cofre” com fundos falsos para o transporte de ilícitos, além de empresas de fachada e laranjas para a lavagem de dinheiro.

A movimentação financeira identificada é vultosa, com registros de circulação superiores a R$ 1,19 milhão em menos de um mês. Para a operacionalização da lavagem de capitais, a rede criminosa utiliza contas interpostas de pessoas físicas e jurídicas, como construtoras e consultorias, além de contas de passagem abertas em nome de terceiros para inserir recursos no mercado financeiro via Pix, TED e depósitos em dinheiro sem rastreabilidade.

Esse núcleo envolve familiares, terceiros de confiança e empresários do mercado formal. Diante desses crimes, cujas penas somadas podem ultrapassar décadas de reclusão, a Justiça decretou medidas cautelares, expedindo 26 mandados de busca e apreensão em diversas cidades de São Paulo e na mineira Soares, além de 19 mandados de prisão preventiva. Desses, cinco já foram cumpridos. Outros seis alvos já estavam presos.

O impacto financeiro da operação inclui o sequestro de R$33,6 milhões em contas bancárias, o bloqueio de ativos de 35 CPFs e CNPJs, além do sequestro de 12 imóveis e 103 veículos, sendo que 26 destes foram apreendidos durante as diligências.

A denominação da operação representa o marco de atuação das instituições estaduais no estabelecimento de um limite institucional ao avanço territorial da organização criminosa no Estado de São Paulo.

O cumprimento das medidas envolveu 120 policiais civis, três promotores de Justiça, 41 viaturas, o Serviço Aerotático da Polícia Civil e quatro auditores da Secretaria de Estado da Fazenda, que identificaram irregularidades fiscais em estabelecimentos envolvidos.

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