O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira (28) a classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. A decisão foi divulgada pelo secretário de Estado americano, que afirmou que os grupos possuem atuação além das fronteiras do Brasil e influência em outros países da região.
Classificação passa a valer em junho
Segundo comunicado oficial do Departamento de Estado, os grupos foram incluídos na lista de Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGTs, na sigla em inglês) e também deverão receber o enquadramento como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs) a partir de 5 de junho de 2026.
O governo americano afirma que as organizações possuem milhares de integrantes e estão ligadas a ações violentas contra agentes públicos e civis.
Governo brasileiro tentou evitar decisão
Nos últimos meses, autoridades brasileiras realizaram tratativas diplomáticas para evitar a classificação. O entendimento do governo federal era de que a medida poderia gerar impactos relacionados à soberania nacional.
O tema foi discutido entre representantes diplomáticos dos dois países, mas acabou mantido pelo governo americano.
Especialistas avaliam impactos da medida
Especialistas em segurança pública e relações internacionais avaliam que a classificação segue uma estratégia já adotada pelos Estados Unidos em relação a organizações criminosas de outros países da América Latina.
Para analistas, embora os grupos atuem com violência e controle territorial, há debate sobre o uso do termo “terrorismo”, já que as facções possuem motivação ligada ao lucro e ao crime organizado, e não a objetivos políticos ou ideológicos.
Medida pode impactar sistema financeiro
Com o novo enquadramento, o governo americano poderá adotar medidas legais, financeiras e operacionais específicas. Entre elas estão:
- bloqueio de ativos financeiros;
- restrições de transações;
- proibição de apoio material às organizações;
- ampliação de ações de inteligência e monitoramento.
Especialistas apontam que os maiores reflexos devem ocorrer no sistema financeiro, especialmente em instituições que operam no mercado americano e precisarão ampliar mecanismos de fiscalização.

