Dois proprietários de estacionamentos de revendas de veículos de Limeira (SP) foram levados para a sede da DEIC de Piracicaba (SP), nesta quarta-feira (29), para prestarem depoimentos num inquérito policial que investiga um esquema estruturado de possíveis fraudes financeiras, estelionato, lavagem de dinheiro e associação criminosa.
Os dois foram detidos durante cumprimento de mandados relacionados à operação “Carro Fantasma”, realizada pela 1ª DIG/DEIC e Seccold, onde as vítimas teriam sido atraídas por promessas de rendimentos acima do mercado e, posteriormente, induzidas a realizar aportes via PIX e contratar financiamentos de veículos que não eram efetivamente entregues, com posterior circulação dos valores por empresas do ramo automotivo e contas vinculadas aos investigados.
Trata-se, de acordo com a polícia, de uma espécie de pirâmide que conta com a participação de pessoas físicas e jurídicas em operações financeiras incompatíveis com a capacidade econômica declarada, com uso de empresas, contas bancárias e financiamentos de veículos para movimentação e ocultação de valores.
De acordo com o delegado Ivan Constâncio, que chefiou a operação, a qual está, segundo ele, na primeira fase, o inquérito foi instaurado depois que as supostas vítimas residentes em São Pedro procuraram a Polícia Civil local e fizeram denúncia.
Por se tratar de algo bastante complexo, que contou com autorizações judiciais para quebra de sigilo bancário, quebra de sigilo telemático e bloqueio de valores, o caso foi remetido à DEIC que logo iniciou as investigações.
Antes de representar pelos mandados, segundo o delegado, foram feitos outros pedidos à Justiça, como quebra de sigilo bancário, quebra de sigilo telemático e bloqueio de valores.
Durante as investigações, o que se observou, de acordo com o delegado, é que dentro da organização havia pessoas que faziam a captação dos interessados, na cidade de São Pedro, e havia ainda três “braços” que faziam a logística financeira, ou seja, eram de revendas de veículos e buscavam financiamentos de veículos em grandes bancos.
“Esses valores eram, depois, encaminhados para a regional de São Pedro onde as pessoas faziam a aplicação desses valores, mas aquelas que realizavam o financiamento, fornecendo seus documentos pessoais e assumindo as prestações, em via de regra, faziam os pagamentos. Foi quando virou uma bola de neve, as prestações já passaram a não ser pagas e algumas das pessoas que intermediavam o financiamento passaram a ser descredenciadas pelos bancos em razão das divergências nos pagamentos desses financiamentos”, explicou.
Relatórios de Inteligência Financeira encaminhados pelo COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), que identificaram movimentações superiores a R$ 102 milhões em comunicações atípicas relacionadas ao núcleo investigado.
A investigação segue em sigilo e novas informações serão divulgadas apenas na medida em que não comprometam as diligências em curso.

