Os proprietários de dois estacionamentos de veículos, especializados inclusive na comercialização de automóveis de luxo, foram presos na manhã desta terça-feira (7) durante a Operação Chargeback, deflagrada pela Polícia Civil para combater crimes de fraude contra instituição financeira, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Os estabelecimentos são a Colombo Motors, localizada na Via Luiz Varga, e a Presence Motors, situada na Avenida Hipólito Pinto Ribeiro, em Limeira (SP).
A investigação teve início há cerca de três meses, após uma instituição financeira comunicar um prejuízo de aproximadamente R$ 9 milhões provocado por uma sofisticada fraude eletrônica. Há cerca de dez dias, quatro pessoas já haviam sido presas durante a primeira fase da operação. Nesta terça-feira (7), a Polícia Civil cumpriu quatro mandados de busca e apreensão, sendo dois nos estacionamentos dos investigados e outros dois nas residências dos envolvidos, localizadas nos condomínios Terras de São Bento II e Belle Vie. Na mesma ação, os policiais prenderam os dois apontados como líderes do esquema criminoso.
Segundo as investigações, o grupo explorava uma falha sistêmica existente em um produto de investimento conhecido como “cofrinho”. O mecanismo permitia que valores aplicados aumentassem temporariamente o limite disponível no cartão de crédito do cliente.
A partir dessa vulnerabilidade, os investigados depositavam grandes quantias nas contas de terceiros. Esses valores eram aplicados no “cofrinho”, elevando o limite do cartão de crédito. Em seguida, o grupo utilizava esse limite para realizar compras utilizando as próprias maquininhas de cartões. Posteriormente, o cartão era cancelado e, devido à falha no sistema da instituição financeira, o dinheiro investido ainda podia ser resgatado, deixando todo o prejuízo para o banco.
De acordo com a Polícia Civil, os dois proprietários dos estacionamentos distribuíam recursos para seis integrantes do esquema, que, por sua vez, repassavam os valores para outras 34 pessoas. Essas pessoas cediam suas contas bancárias em troca de pequenas quantias em dinheiro, permitindo que as movimentações financeiras fossem realizadas.
As investigações apontam que essas 34 pessoas terão de prestar esclarecimentos durante o inquérito policial. Já dois dos seis responsáveis por distribuir os valores seguem foragidos.
Durante o cumprimento dos mandados desta terça-feira, policiais civis apreenderam diversos bens de alto valor pertencentes aos investigados, entre eles relógios de luxo, incluindo relógios de grife e veículos de luxo, alguns avaliados em mais de R$ 800 mil.
A Polícia Civil agora continua as investigações para saber se outras pessoas fazem parte da organização criminosa.

