O Grupo Gennius, responsável pelas marcas Habib’s, Ragazzo e Tendal, teve o pedido de recuperação judicial aceito pela Justiça de São Paulo. O conglomerado declarou dívidas de R$ 265,2 milhões e terá 60 dias para apresentar um plano destinado à reorganização dos débitos e continuidade das atividades.
O processo tramita na 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. Antes de ingressar com a recuperação judicial, o grupo havia conseguido proteção temporária contra determinadas medidas de cobrança enquanto buscava um entendimento com os credores.
Como as negociações não foram concluídas dentro do período estabelecido, a companhia apresentou o pedido de recuperação na segunda-feira (24).
Entre as razões apontadas para as dificuldades financeiras estão os impactos deixados pela pandemia, alterações no comportamento dos consumidores e condições econômicas desfavoráveis, incluindo os juros elevados.
Operação reúne mais de 100 lojas Habib’s
O processo envolve diferentes empresas ligadas ao grupo. Conforme as informações apresentadas à Justiça, a estrutura inclui 119 lojas Habib’s, 26 unidades Ragazzo e seis churrascarias Tendal, além de sociedades operacionais, franqueadoras e holdings.
Com o processamento da recuperação judicial, ações e execuções relacionadas aos créditos abrangidos pelo procedimento ficam suspensas, observadas as exceções previstas na legislação.
A KPMG Corporate Finance foi nomeada administradora judicial e deverá analisar a situação das empresas envolvidas no processo.
Habib’s tem 60 dias para apresentar plano
O próximo passo será a apresentação do plano de recuperação judicial, que deverá ocorrer no prazo de até 60 dias. O documento deverá detalhar como o grupo pretende reorganizar suas obrigações com os credores.
A Justiça também determinou que fornecedores de produtos e serviços considerados essenciais não poderão interromper contratos apenas pelo fato de as empresas terem ingressado em recuperação, desde que as novas operações sejam pagas conforme as condições determinadas.
Por outro lado, o Judiciário não autorizou a liberação de determinados recebíveis oferecidos como garantia às instituições financeiras. Assim, os bancos poderão continuar utilizando esses valores para amortizar créditos garantidos.
A recuperação judicial não significa falência. O procedimento busca permitir que uma empresa em dificuldade financeira renegocie suas dívidas e mantenha suas operações enquanto apresenta aos credores uma proposta de reestruturação.

