Ícone do site Rápido no Ar

Delegados da Polícia Civil de Mogi Guaçu são investigados pelo Ministério Público

O promotor de Justiça Rodrigo Lopes instaurou, na segunda-feira (24), um procedimento investigatório criminal para apurar a prática de possíveis delitos de prevaricação, abuso de autoridade e outras irregularidades atribuídas a delegados de Polícia Civil em atuação na Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Mogi Guaçu.

A instauração baseou-se em diversas reclamações de integrantes da Polícia Militar e das Guardas Civis Municipais de Mogi Guaçu, Jaguariúna, Mogi Mirim, Estiva Gerbi e Itapira. Na portaria, o promotor de Justiça ressalta que as autoridades investigadas “fazem de tudo para desestimular a apresentação de ocorrências no plantão policial, evitando assim a necessidade de se fazerem presentes, mesmo diante da obrigação de tal ato”.

Segundo os relatos colhidos pela Promotoria de Justiça de Mogi Guaçu, os investigados vinham adotando condutas que desestimulavam a apresentação de ocorrências no plantão policial, provocando excessiva demora no atendimento e mantendo agentes de segurança por horas além de seus turnos de serviço.

Além disso, há apontamentos de ausências dos delegados durante os plantões, momento em que orientavam os escrivães a apenas registrar boletins de ocorrência e liberar indivíduos presos.

Entre as irregularidades mencionadas na portaria de instauração, destaca-se a recusa de atendimento a uma ocorrência de roubo a residência em Águas de Lindóia. Mesmo após a captura dos suspeitos pela Guarda Municipal de Jaguariúna e com as vítimas presentes na delegacia dentro do horário de expediente, o delegado teria se recusado a efetuar o registro, determinando o deslocamento dos agentes para a CPJ de Mogi Guaçu, de onde foram posteriormente redirecionados a uma unidade em Campinas.

Em outra ocasião, o promotor de Justiça Rodrigo Lopes foi acionado por policiais militares diante da ausência da autoridade de plantão para a autuação de uma prisão em flagrante e compareceu pessoalmente à CPJ de Mogi Guaçu.

O delegado, cujo plantão deveria ter iniciado às 8h, chegou ao local somente por volta das 12h20, conduzindo uma viatura descaracterizada. Ao abordá-lo, o membro do MPSP e os policiais militares presentes constataram forte odor etílico. Convidado a se submeter ao teste de alcoolemia ou a fornecer amostra de sangue para análise, o delegado recusou-se.

Além das faltas no plantão, a promotoria apura o atraso no andamento de inquéritos policiais e a ausência injustificada do delegado titular durante visitas correicionais recentes realizadas pelo MPSP na unidade.

Entre as diligências já determinadas pelo MPSP estão a expedição de ofícios à Polícia Militar de Mogi Guaçu, às Guardas Municipais de Jaguariúna, Mogi Guaçu, Mogi Mirim, Estiva Gerbi e Itapira para que enviem cópias de casos de recusa ou irregularidade no registro; requisição ao Departamento de Polícia Judiciária São Paulo Interior 2 de todas as escalas de plantão da CPJ de Mogi Guaçu entre janeiro e agosto de 2026 e a solicitação de informações e oitivas à Corregedoria Auxiliar da Polícia Civil em Campinas.

Sair da versão mobile