A Polícia Civil de Piracicaba (SP), por meio do Setor Especializado de Combate aos Crimes de Corrupção, Crime Organizado e Lavagem de Dinheiro (SECCOLD), unidade especializada da DEIC, deflagrou, na manhã desta sexta-feira (26) a fase ostensiva da Operação Duplicata Fantasma, realizada a nível interestadual e que resultou na apreensão de três veículos – Toyota, Hyundai e Byd -, além de vasta documentação física, contratos, anotações contábeis e dispositivos eletrônicos.
As investigações, que tiveram início após denúncias de empresas do setor de crédito e foram aprofundadas com relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) e análises forenses financeiras, revelaram que o grupo operava uma rede sofisticada de empresas de fachada.
A ação, que contou com cerca de 13 equipes policiais, que tiveram como missão cumprir 28 mandados de busca e apreensão expedidos pela Vara Regional das Garantias da 4ª RAJ de Piracicaba, teve como objetivo desarticular uma complexa organização criminosa especializada na prática de estelionato qualificado, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.

Os policiais atuaram, de forma simultânea, nos municípios paulistas de Sumaré, Americana, Santa Bárbara d’Oeste, Nova Odessa, Hortolândia e Limeira, e também nas cidades mineiras de Santa Rita de Caldas e Andradas.
A ação conta com o apoio tático de diversas delegacias da DEIC e Seccionais paulistas, além do apoio operacional de unidades congêneres da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG).
De acordo com policiais do SECCOLD, o esquema utilizava uma empresa central, do ramo de distribuição de alimentos e bebidas, para emitir notas fiscais sem lastro comercial (frias) e duplicatas simuladas contra dezenas de falsos clientes (sacados fictícios), criados pela própria quadrilha através de “laranjas” ou mediante sobreposição de endereços comerciais para forjar credibilidade
Esses títulos fraudulentos eram então negociados (antecipados) junto a securitizadoras e fundos de investimento, causando prejuízos milionários às vítimas.
Inclusive, a análise da inteligência policial constatou que os valores arrecadados nas fraudes – cujo montante de movimentação atípica apurado já ultrapassa os R$ 225 milhões – eram rapidamente pulverizados e transferidos para outras contas do grupo (“contas de passagem”) para dificultar o rastreamento das autoridades (fase de estratificação).
Posteriormente, os líderes da organização reintegravam esse capital ilícito à economia formal por meio da aquisição de imóveis com sobrepreço superior a 200%, aportes em planos de previdência privada e compra de veículos de luxo em espécie.
Com autorização judicial expressa para a quebra de sigilo telemático no local, os peritos e agentes policiais já iniciaram a devassa e extração de dados dos celulares e computadores apreendidos
Os veículos apreendidos visam a descapitalização do grupo e a garantia de futuro ressarcimento aos cofres públicos e vítimas. Os materiais recolhidos passarão por análise forense detalhada e serão integrados ao Inquérito Policial, que segue em andamento para identificar outros possíveis envolvidos e descapitalizar a totalidade do patrimônio da organização.
