O uso de cúrcuma em cápsulas e extratos concentrados pode representar riscos à saúde do fígado, incluindo casos de hepatite. O alerta é da hepatologista Patrícia Almeida, do Hospital das Clínicas da USP. Segundo a especialista, apesar da popularidade do ingrediente por seus efeitos anti-inflamatórios, o consumo em suplementos exige cautela e acompanhamento médico.
A cúrcuma é amplamente utilizada na culinária e reconhecida por propriedades antioxidantes. No entanto, em versões concentradas — como cápsulas e extratos — o composto pode provocar desequilíbrios no sistema imunológico. A especialista destaca que o fato de ser um produto natural não garante segurança, principalmente em altas doses.
Lesões hepáticas e alertas da Anvisa
Casos de lesões hepáticas e hepatite associados ao uso de cúrcuma em suplementos já foram registrados em diferentes países. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e outras autoridades internacionais emitiram alertas sobre o consumo desses produtos, especialmente quando manipulados ou adquiridos sem controle rigoroso.
Falta de evidência científica e importância de orientação médica
De acordo com Patrícia Almeida, não há comprovação científica consistente de que a cúrcuma em cápsulas traga benefícios para imunidade, desempenho ou ação anti-inflamatória. Além disso, como o fígado metaboliza substâncias ingeridas, o uso indiscriminado pode sobrecarregar o órgão. A recomendação é buscar orientação médica antes de iniciar qualquer suplementação.
O uso da cúrcuma como tempero alimentar, por outro lado, continua sendo considerado seguro e não está associado aos mesmos riscos dos suplementos concentrados.

