Mesmo sem registros recentes de sarampo, o Departamento de Vigilância em Saúde (Devisa) de Campinas alertou profissionais da rede assistencial sobre o risco de casos importados da doença. A medida considera o avanço de surtos em países das Américas e o fluxo intenso de viajantes na cidade.
O último caso de sarampo em Campinas foi registrado em 2019. Ainda assim, o Devisa decidiu emitir o alerta diante do atual cenário epidemiológico internacional. Países como Estados Unidos, Canadá e México relataram surtos recentes, o que levou a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) a divulgar um alerta epidemiológico para a região.
Além do contexto externo, o município destaca fatores locais que ampliam o risco de importação do vírus. Entre eles estão a presença do Aeroporto Internacional de Viracopos, a malha rodoviária intermunicipal, o grande número de empresas e universidades e o aumento da circulação de pessoas com o fim das férias, o Carnaval e o início do ano letivo.
No documento, o departamento orienta que profissionais de saúde reforcem a suspeita precoce da doença, façam a notificação imediata de casos suspeitos e adotem medidas rigorosas de prevenção e controle de infecção nos serviços de atendimento e internação.
Detecção precoce e notificação imediata são essenciais
O sarampo é causado por um vírus altamente contagioso, transmitido de pessoa a pessoa por secreções respiratórias, como tosse, espirro e fala. Por isso, a identificação rápida de casos suspeitos é considerada fundamental para evitar a transmissão comunitária e possíveis surtos.
Entre as medidas recomendadas estão o isolamento imediato de pacientes com suspeita da doença, a identificação e vacinação de contatos suscetíveis, a coleta de amostras para análise laboratorial e a avaliação de sinais de gravidade.
O Devisa também reforça a importância de que todos os trabalhadores dos serviços de saúde estejam com a vacinação em dia, como forma de reduzir o risco de disseminação do vírus em ambientes assistenciais.
Vacinação segue como principal forma de prevenção
A vacinação é apontada como a principal estratégia de proteção contra o sarampo. Em Campinas, a cobertura vacinal em 2025 atingiu 98,91% para a primeira dose da tríplice viral (SCR) e 92,16% para a segunda dose.
Nos últimos anos, o município registrou casos confirmados da doença em 2019, com 172 ocorrências, e em 2020, com 35 registros. Após esse período, não houve novos casos confirmados.
Em fevereiro, a Prefeitura realizou uma ação especial de vacinação contra sarampo e febre amarela em supermercados, terminais de ônibus e Centros de Saúde. Ao longo de todo o ano, as vacinas seguem disponíveis nos 69 centros de saúde da cidade, sem necessidade de agendamento.
A vacina tríplice viral é indicada para crianças de 12 a 15 meses, com aplicação em duas doses. Pessoas que nunca foram imunizadas devem receber duas doses até os 29 anos ou uma dose entre 30 e 59 anos.

